Feira de Santana Saúde

Familiares protestam e pedem justiça após morte de bebê no Hospital Estadual da Criança em Feira de Santana

Foto: Luiz Santos/Conectado News

Familiares da bebê Eloá Santos das Neves, de apenas três meses, realizaram um protesto na manhã desta segunda-feira (11), em Feira de Santana, pedindo esclarecimentos e justiça após a morte da criança, ocorrida na última quarta-feira (6), enquanto ela estava internada no Hospital Estadual da Criança (HEC).

Segundo relatos da família, Eloá havia dado entrada na unidade hospitalar inicialmente, mas estava sem febre e teria sido liberada por isso. Horas depois, o quadro de saúde da bebê teria se agravado, levando a um novo atendimento e à realização de uma cirurgia de urgência. Familiares afirmam que não receberam explicações detalhadas sobre o diagnóstico, os procedimentos realizados nem sobre a causa da morte.

A tia da criança, Vitória Menezes, que foi acompanhante dela em parte do internamento, relatou que Eloá precisou ser entubada às pressas durante a madrugada, após apresentar queda na frequência cardíaca e na glicemia. Segundo ela, o procedimento teria sido realizado sem sedação devido à dificuldade de acesso venoso.

Foto: Luiz Santos/Conectado News

“Eu troquei com a mãe dele na última terça-feira (6), à tarde, como acompanhante. Ela estava desentubada, mas estava muito quietinha, não estava bem ainda. Por volta de 18 horas a médica falou que ela não estava bem, não estava reagindo, não estava ficando muito tempo acordada e que a frequência cardíaca estava muito fraca e a glicemia também estava baixa. Já era meia noite que as enfermeiras trouxeram os aparelhos para intubação, mas não me comunicaram que iriam entubar ela. Então a médica veio e disse que era preciso fazer, senão ela iria falecer, pois os batimentos cardíacos estavam muito fracos e que ela não estava reagindo aos medicamentos. Disse que as veias dela sumiram e que não estavam conseguindo aplicar medicação e entubou ela sem sedação. Durante o procedimento Eloá ficou sacudindo a cabecinha, sentindo dor. Ela não estava conseguindo mexer o braço. Além disso, também colocaram um ‘caninho’ para drenar o líquido do estômago dela”, conta.

Vitória afirmou ainda que a família foi informada apenas de forma superficial sobre a possível relação entre o quadro clínico e a alimentação da bebê.

“Na manhã seguinte eu troquei com a mãe dela que passou a ser a acompanhante, por volta de 10 horas, mas antes que eu saísse a médica falou que seria necessário colocar um acesso no pescoço e que fariam uma drenagem no estômago. Quanto à causa da morte, só disseram que, possivelmente, seria o leite, que foi o que levou a fazer a cirurgia com urgência antes. Não falaram mais nada. Estamos sem entender a causa da morte de Eloá. Não explicam nada direito, desde a emergência que levou a fazer a cirurgia ou porque tiveram que entubar às pressas. Só realizaram os procedimentos”.

Outra tia da bebê Eloá, Edilene Selvo, criticou o atendimento prestado pela unidade e questionou os critérios adotados para atendimento pediátrico.          

“Eu sou tia da Eloá. Na última terça, a criança veio ao hospital para conseguir atendimento, porém a criança não estava com febre. Acho que está acontecendo um descaso nesse hospital, onde as crianças chegam e eles não atendem. Mandaram Eloá para casa e quando foi na madrugada seguinte, Eloá voltou e fizeram cirurgia às pressas, mas ninguém explicou nada. Por que quando Eloá chegou a primeira vez aqui eles não fizeram o devido trabalho?  Outra vez, eu cheguei com minha neta aqui desfalecendo, tinha vomitado 10 vezes e eles prescreveram medicação e mandaram que eu fosse à UPA estadual. É um descaso que está acontecendo com todas as mães aqui em Feira de |Santana e região”

Edilene diz ainda que houve demora na condução do caso e cobrou investigação sobre possíveis falhas no atendimento médico e nas normas internas do HEC.

“Que sistema podre é esse? O que está acontecendo nesse sistema? Por que os médicos seguem o que o sistema manda, infelizmente. Eu quero saber quem criou essa norma que só pode atender uma criança se tiver febre. Eloá não teve febre e hoje ela não está mais aqui entre nós.  Se logo na primeira entrada dela, pela manhã, os médicos tivessem feito seu trabalho, hoje ela poderia estar entre nós. Mas esperaram piorar e abrir essa criança toda, por negligência. Clamo por justiça e aos médicos daqui que não façam mais isso com ninguém. Eu quero justiça pela vida de Eloá e pelas outras que aqui morrem”.

A equipe de reportagem do Conectado News entrou em contato com a direção do Hospital da Criança, mas até o momento da publicação desta matéria, não houve resposta da unidade.

Redação

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