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Bolsonaristas politizam questão sanitária e defendem produtos Ypê reprovados pela Anvisa

Foto: Reprodução Redes Sociais

A suspensão por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de parte da produção dos produtos de limpeza Ypê passou a alimentar desde nova trend de postagens de bolsonaristas nas redes sociais. O fato de os proprietários da empresa terem apoiado o ex-presidente Jair Bolsonaro passou a ser apontado por adeptos da extrema direita como o principal motivo da interdição.

Em comunicado divulgado no sábado (9), a Ypê informou que manterá interrompida a fabricação de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes pertencentes aos lotes com final 1, mesmo após conseguir uma liminar suspendendo temporariamente a decisão da Anvisa.

A Química Amparo, responsável pela marca Ypê, é administrada pelos irmãos Waldir Beira Júnior, Jorge Beira e Ricardo Beira, herdeiros do fundador Waldyr Beira. Durante as eleições de 2022, integrantes da família destinaram, juntos, R$ 1,5 milhão à campanha de Jair Bolsonaro à reeleição.

Após a medida da Anvisa, apoiadores do ex-presidente iniciaram manifestações nas redes sociais em defesa da empresa, alegando perseguição política por parte do governo Lula. Personalidades como o ator Júlio Rocha e a cantora Jojo Todynho também comentaram o assunto publicamente. Rocha ironizou a situação em uma postagem no Instagram, enquanto Jojo afirmou que continuaria utilizando produtos do lote suspenso.

Políticos também foram na contramão da Anvisa, fazendo propaganda gratuita para os produtos de limpeza desaconselhados pela Anvisa.

O vice-prefeito de São Paulo, coronel Ricardo Mello Araújo (PL) foi às redes sociais e incentiva o uso dos produtos Ypê, contra as recomendações das autoridades sanitárias de não usar

O senador Cleitinho foi outro a gravar vídeo usando o produto, enquanto desafiava a Anvisa a ir “na casa de cada brasileiro para fiscalizar a bucha” de cada um. “Isso é importante também, viu, Anvisa?”, argumentou. Em seguida, elogia a empresa e ressalta que seus donos fizeram doação à campanha de Bolsonaro. “É só coincidência?”, questiona.

Enquanto isso, órgãos de vigilância sanitária reforçam o alerta à população. O CVS (Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo) informou que o risco sanitário permanece e recomendou que consumidores não utilizem os produtos dos lotes afetados.

A análise vem sendo conduzida em conjunto pela Anvisa, pelo CVS e pela Vigilância Sanitária domunicípio de Amparo, no interior paulista.

Segundo o CVS, a liminar obtida pela empresa não autoriza o consumo nem a comercialização dos produtos investigados. Em nota, o órgão destacou que a avaliação técnica sobre os possíveis riscos segue válida e que o recurso apresentado pela empresa ainda será analisado pela Anvisa.

As autoridades sanitárias afirmam que inspeções recentes identificaram falhas em etapas essenciais do processo produtivo, além de irregularidades que poderiam representar risco à saúde dos consumidores.

Redação

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