Baiano denuncia que trabalho na guerra da Ucrânia é golpe
Um baiano de 38 anos, identificado como Rafael (nome fictício), denunciou um esquema de aliciamento de brasileiros para atuar na guerra da Ucrânia contra a Rússia. Em relato ao A Tarde, já de volta ao Brasil, ele afirma que aceitou a proposta motivado por dificuldades financeiras e pela promessa de altos salários, mas encontrou uma realidade marcada por desinformação, precariedade e risco extremo.
Segundo Rafael, o recrutamento foi feito ainda no Brasil por um intermediário brasileiro ligado a um batalhão ucraniano. A promessa era de pagamento mensal de “45 mil” e até “120 mil” por missão no front. No entanto, apenas após a chegada à Ucrânia ele descobriu que os valores eram pagos em grívnias, moeda local. Atualmente, 45 mil grívnias equivalem a cerca de R$ 6 mil.
“O problema não é só o valor real. Nada do que foi prometido foi cumprido”, afirmou. De acordo com ele, os salários muitas vezes não eram pagos integralmente e ficavam sob controle dos comandantes dos batalhões.
Rafael relata que não houve critérios rigorosos para o alistamento. “A única exigência era ter passaporte. Tinha gente sem qualquer preparo militar”, disse. Ele também afirma que precisou custear a própria viagem até a Ucrânia, gastando cerca de R$ 7 mil.
Ao chegar ao país, teve o passaporte retido e passou semanas incomunicável. Após a assinatura do contrato, os combatentes tinham celulares recolhidos durante treinamentos e missões, sob a justificativa de evitar ataques por drones. No front, o baiano descreve convivência constante com a morte, causada principalmente por minas terrestres e drones explosivos. “Guerra não é filme. É morte o tempo todo”, resumiu.
De volta ao Brasil sem recursos financeiros, Rafael decidiu tornar o relato público como forma de alerta. “Não vão. Isso é ilusão. É golpe de recrutadores. Você pode não voltar”, afirmou.




