“Trabalho, não é crime”: transporte alternativo paralisa Anel de Contorno e cobra diálogo com a ANTT em Feira de Santana
Com informaçãoes: Luiz Santos
Por: Mayara Nailanne
Com informações: Luiz Santos
Motoristas e empresários do transporte alternativo interestadual realizaram, na manhã desta segunda-feira, uma paralisação no Anel de Contorno, na Avenida Eduardo Fróes da Mota, em Feira de Santana. O ato, segundo os organizadores, é um protesto contra ações de fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e pede a abertura de um canal permanente de negociação com o governo federal. Apesar da mobilização, os veículos permaneceram no acostamento e não houve interdição total da via, mas o trânsito ficou lento, principalmente no trecho norte, sentido Cidade Nova.
Com faixas e ônibus estacionados ao longo do anel, profissionais do setor reforçaram que o movimento é pacífico. “É trabalho, não é crime. Não fechamos BR, não queremos prejudicar ninguém. O que queremos é abrir um canal de negociação com o governo federal, por meio do Ministério dos Transportes e da ANTT”, afirmou Francisco Carlos Lima, conhecido como Carlinhos Vilar, uma das lideranças do segmento.

De acordo com ele, a categoria se sente perseguida pela forma como vêm sendo realizadas as abordagens de fiscalização. “Não precisa a ANTT esconder viaturas e sair correndo atrás de ônibus como se fossem bandidos. Somos pais de família e queremos trabalhar dentro da lei. Não somos contra a fiscalização, queremos regulamentação e regularização”, declarou.
Segundo os organizadores, cerca de 100 a 150 profissionais participaram da assembleia em Feira de Santana, incluindo representantes que vieram de outras cidades e estados. Durante o encontro, foi discutida a elaboração de uma pauta unificada para ser apresentada em Brasília. Ainda conforme Carlinhos, uma comissão da federação nacional da categoria deve ser recebida na capital federal na próxima quarta-feira para tratar das reivindicações.
Entre os principais pontos de insatisfação está a publicação de novas resoluções da ANTT, como a de número 6.074/2025, que, segundo os trabalhadores, prevê penalidades mais rígidas, incluindo a possibilidade de perda do veículo em caso de reincidência de infrações. “Não é justo o governo tomar um bem que o trabalhador comprou com suor. Queremos prazo para organizar documentação e continuar trabalhando com dignidade”, defendeu o representante.
A categoria afirma que a maioria dos veículos está cadastrada na ANTT e cumpre exigências como seguro de passageiros, laudos técnicos e demais requisitos legais. “Temos carros novos, com quatro eixos, modelos 2024 e 2025, todos segurados. Estamos prontos para atender às exigências, inclusive pagar impostos, mas precisamos de segurança jurídica”, acrescentou.
Os manifestantes também disseram contar com apoio político para intermediar o diálogo, citando agenda prevista com o presidente da Câmara, Hugo Motta. O objetivo é buscar mediação para garantir prazo de adequação às normas e revisão de pontos considerados prejudiciais à categoria.
Apesar de a mobilização ter ocorrido apenas em Feira de Santana, os organizadores afirmam que o movimento pode ganhar dimensão nacional caso não haja avanço nas negociações. “Se o acordo não for cumprido, no próximo mês podemos realizar uma paralisação em todo o país, nas divisas dos estados. Esperamos que não seja necessário”, alertou Carlinhos.
A paralisação foi acompanhada por equipes de imprensa local e gerou reflexos no trânsito ao longo da manhã. Até o fechamento desta matéria, a ANTT não havia se pronunciado sobre as reivindicações apresentadas durante o ato.




