Feira de Santana

Polêmica sobre o fim da obrigatoriedade das autoescolas divide opiniões em Feira de Santana

Foto: Luiz Santos

O debate sobre o fim da obrigatoriedade das aulas em autoescolas para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) tem causado preocupação entre instrutores e profissionais do setor. Em Feira de Santana, a equipe do Conectado News esteve no bairro São João, onde os futuros condutores realizam aulas práticas de carro e moto, e ouviu diferentes opiniões sobre o tema.

No local, é possível observar a rotina intensa de treinamento. “No primeiro campo acontecem as aulas práticas de carro, e aqui de moto. O que chama a atenção é que a maioria dos alunos nas aulas de moto são mulheres”, relata nossa equipe. “Elas também dominam as aulas de carro. Dizem que as mulheres são mais prudentes ao volante, e aqui isso fica evidente.”

Entre os instrutores, o clima é de apreensão. O profissional Alceir Silva Caldas, com 15 anos de experiência, criticou a possível mudança.“Estou acompanhando tudo isso com preocupação. Acho um descaso o que o governo está fazendo com a profissão de instrutor de autoescola”, afirmou. “A gente se prepara durante meses para poder ensinar com segurança. Se acabar a obrigatoriedade, qualquer pessoa poderá dar aula, sem preparo algum. Isso vai comprometer a formação dos novos condutores.”

Alceir também alerta para as consequências no trânsito e para o impacto social da medida.
“Além do desemprego de muitos pais de família, o índice de acidentes pode aumentar. Imagine um pai ensinando o filho, ou um tio ensinando o sobrinho, sem preparo, sem carro adaptado com duplo comando de freio. As consequências serão enormes.”

Em uma das áreas de treinamento, a equipe do Conectado News observou o cuidado dos instrutores ao orientar os alunos sobre equilíbrio, frenagem e controle do veículo. “A preocupação é essa: se acabar a obrigatoriedade das autoescolas, será que quem tem um veículo saberá realmente ensinar com segurança?”, questiona a reportagem.

De acordo com Janaina Almeida, a medida proposta pelo Governo Federal beneficia pessoas que precisam da habilitação, mas não têm condições de pagar o valor cobrado atualmente pelas autoescolas.“Eu preciso da minha habilitação, até mesmo para trabalhar — não por vaidade. Mas não tenho condições de pagar cerca de quatro mil reais fazendo apenas um salário mínimo”, disse Janaina.

Mayara Nayllanne

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