Orelhões desaparecem das ruas de Feira de Santana
O ano de 2026 marca o fim de uma era no Brasil: os orelhões, telefones públicos que foram ícones da comunicação no país por décadas, começam a ser retirados definitivamente das ruas a partir deste mês de janeiro, em uma medida que afeta cidades de todo o território nacional. A decisão ocorre após a expiração das concessões de telefonia fixa, que obrigavam as empresas a manterem os aparelhos nas vias públicas.
Segundo dados capturados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ainda existem cerca de 38 mil orelhões espalhados pelo Brasil, muitos deles em desuso e já sem função diante da popularização dos celulares. A retirada, no entanto, pode ser mais lenta em localidades que ainda não possuem cobertura de telefonia móvel, onde alguns aparelhos poderão ser mantidos até 2028.
Na Bahia, o número de telefones públicos ainda registrados alcança mais de 1,5 mil orelhões — sendo pouco mais de 1,019 mil ativos e cerca de 550 em manutenção segundo dados recentes da agência reguladora.
Em Feira de Santana, principal cidade do interior baiano, atualmente existem cerca de 190 aparelhos de orelhão, conforme levantamento de dados municipais e registros da Anatel.
Os orelhões, que foram praticamente indispensáveis até o início dos anos 2000, perderam relevância com a expansão dos telefones celulares e da internet móvel. Com o fim dos contratos das concessionárias de telefonia fixa, as empresas não têm mais obrigação de manter os equipamentos, desencadeando a remoção em massa das estruturas.
Embora a maioria dos aparelhos esteja fora de operação há anos, muitos moradores ainda os veem pelas ruas como marcos da memória urbana. Para algumas comunidades e regiões mais afastadas, a manutenção de orelhões ainda representa um apoio importante onde a cobertura móvel é irregular ou limitada.
A Anatel determinou que os recursos anteriormente destinados à manutenção desses telefones sejam redirecionados para melhorias em banda larga e telefonia móvel, reforçando o avanço das tecnologias que hoje dominam a comunicação no país.
Enquanto os orelhões desaparecem fisicamente, restam lembranças de sua presença nas esquinas, nos terminais de ônibus e nas ruas de cidades como Feira de Santana testemunhos de uma época em que paradas rápidas diante de um telefone público significavam conexão com o mundo.




