Polícia

Operação que prendeu advogado feirense expõe esquema com cartórios e policiais

Uma decisão da 2ª Vara Criminal de Feira de Santana revelou detalhes de uma investigação que aponta a existência de uma organização criminosa voltada à grilagem de terras, fraudes registrais, esbulhos possessórios violentos, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro no município de Feira de Santana .

Segundo a representação da DRACO, o grupo seria composto por delegatários de cartórios, tabelião, policiais civis e militares, além de empresários, grileiros, intermediários e um advogado. Os investigados atuariam de forma estruturada, com divisão de tarefas para dar aparência de legalidade a registros fraudulentos e consolidar negócios imobiliários ilícitos.

A investigação cita irregularidades graves identificadas em correlações de serventias extrajudiciais, incluindo sobreposição de matrículas, desmembramentos sem respaldo legal e lavratura de títulos em benefício direto de investigados. Relatórios financeiros reforçam o quadro, apontando movimentação intensa em dinheiro vivo e aquisições sucessivas de imóveis incompatíveis com a renda declarada, indicando lavagem de capitais.

A decisão também descreve relatos de invasões de áreas disputadas com uso de homens armados, ameaças a moradores e intimidação de vítimas, supostamente conduzidas por policiais ligados ao grupo.

Diante dos indícios, a juíza Sebastiana Costa Bomfim autorizou mandados de busca e apreensão em residências, cartórios, empresas e escritórios dos investigados. Documentos, registros imobiliários, aparelhos eletrônicos, valores, armas e outros bens podem ser apreendidos sempre que associados aos crimes investigados.

A magistrada também determinou o afastamento cautelar de delegatários de cartórios, tabelião e policiais civis e militares identificados nos autos, proibindo o acesso às repartições e o contato com servidores e testemunhas.

No caso do advogado investigado, a Justiça aplicou medida cautelar proibindo o exercício da advocacia, sob a suspeita de que a atividade profissional estaria sendo usada como instrumento do esquema. A OAB-BA foi oficiada para avaliação de providências disciplinares.

A decisão corre sob sigilo e determina que as medidas sejam cumpridas com urgência, preservando a identidade de vítimas e testemunhas.

Daniele

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