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Tradição do amendoim atravessa gerações e garante renda para famílias da Queimadinha em Feira de Santana

Embora a procura pelo amendoim aconteça durante todo o ano, é no período junino que as vendas registram crescimento significativo.

Por: Redação
09/06/2026 às 11h46
Tradição do amendoim atravessa gerações e garante renda para famílias da Queimadinha em Feira de Santana
Foto: Onildo Rodrigues
O amendoim, uma leguminosa rica em proteínas, gorduras boas e antioxidantes, é um dos alimentos mais associados aos festejos juninos no Nordeste. Em Feira de Santana, a tradição de cozinhar e comercializar o produto tem no bairro da Queimadinha um de seus principais símbolos, atividade que, segundo moradores, é mantida há mais de 50 anos e continua sendo fonte de renda para diversas famílias.
 
Embora a procura pelo amendoim aconteça durante todo o ano, é no período junino que as vendas registram crescimento significativo.
 
 
Há mais de quatro décadas atuando no segmento, Ivone Reis conta que a atividade se tornou uma herança familiar. “Tem mais de 40 anos que a gente trabalha com amendoim. Eu e minha filha, que cresceu vendendo também e agora tomou conta de um comércio, tem a tia dela que também negocia. É a família toda, o ano inteiro, vendendo amendoim. Nesse período a procura aumenta, tem muito cliente de fora, do Rio, São Paulo, para todo canto o amendoim vai. A gente vive disso aqui, assim como muitas outras famílias que garantem seu sustento nele”.
 
A comerciante Maria de Lourdes, cunhada de Ivone, afirma que aprendeu o ofício com a mãe e acompanha a evolução da atividade ao longo dos anos. Segundo ela, os preços permanecem os mesmos do ano passado, mas podem sofrer reajustes em razão da Copa do Mundo.
 
 
“Eu já trabalho há 45 anos, desde a geração da minha mãe, que me ensinou. Antigamente era no pacotinho, a gente vendia enrolado no papel e saía vendendo nos lugares. Viajava para várias cidades para vender. Hoje já é no litro ou no balde. Minha filha também vende hoje. Eu cozinho, faço entrega, faço tudo. A gente seleciona os melhores, lava em quatro águas, dependendo do amendoim, vai até 5 ou 6 águas para lavar. Depois de lavado, bota no fogo, põe sal e limão. Após cozido, tira do fogo e vem vender. Está o mesmo preço do ano passado, mas pode aumentar um pouco por causa da Copa do Mundo: eles aumentam e a gente que revende tem que aumentar também”.
 
A cadeia de comercialização também envolve revendedores que distribuem o produto para diferentes pontos da cidade, como Antônio Carlos, que compra amendoim na Queimadinha para revender em bairros e no centro de Feira de Santana.
 
“Moro por aqui e diariamente compro amendoim e aproveito também para revender para outros lugares. Eu compro o saco para revender no Centro da cidade e em alguns bairros. Faço isso há cerca de 5 anos. Pretendo continuar mantendo essa tradição da Queimadinha, levando mercadoria bonita para os clientes aprovarem. O nosso diferencial é a qualidade e a limpeza”.
 
 
Conhecido como “Vata do Amendoim”, um dos comerciantes mais tradicionais da localidade, relata que trabalha há 46 anos na atividade e que a tradição foi herdada dos pais.
 
“Eu tenho 46 anos cozinhando amendoim. A tradição vem de mãe e de pai, vou levando a vida e ensinando a todo mundo. Comecei com 11 anos, já cozinhava o amendoim, já viajava para o interior todo. Eu ia escondido do Juizado de Menor para não me prender. Tenho muitos fregueses, tem gente que compra para revender em eventos e já vem aqui direto. A minha esposa, filho, filha, às vezes... Sem outro emprego, seguimos essa vida, cozinhando amendoim. Vamos manter a tradição porque não podemos parar, a tradição do Povo da Queimadinha é o amendoim”.
 
 
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