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Ambientalista alerta para avanço de espécies invasoras no Rio Jacuípe e Lago de Pedra do Cavalo

Essas espécies exóticas competem diretamente com os peixes nativos por alimento e espaço, alterando a dinâmica dos ecossistemas aquáticos.

Por: Mayara Nayllanne
11/06/2026 às 14h47
Ambientalista alerta para avanço de espécies invasoras no Rio Jacuípe e Lago de Pedra do Cavalo
Foto: João DIas

O surgimento de mais uma espécie de peixe exótica no Lago de Pedra do Cavalo, em um trecho do Rio Jacuípe, acendeu um novo alerta sobre os impactos ambientais causados pela introdução de espécies não nativas nos rios da Bahia.

Segundo o ambientalista João Dias, um pescador registrou recentemente um exemplar de surubim híbrido, peixe produzido em laboratório a partir do cruzamento de diferentes espécies. A imagem foi enviada ao ambientalista, que acompanha há anos a presença de espécies invasoras na região.

“Quando os pescadores capturam um peixe diferente, costumam me enviar fotos para identificação. Desta vez, foi identificado um surubim híbrido, um peixe fabricado em laboratório e originário de espécies do Pantanal”, explicou João Dias.

De acordo com o ambientalista, embora esse tipo de peixe apresente menor potencial reprodutivo, ele ainda representa riscos ao equilíbrio ecológico. “Mesmo sem se reproduzir com facilidade, ele ocupa o espaço das espécies nativas, alimenta-se de ovos e alevinos e contribui para a degradação do habitat natural”, alertou.

O caso reforça uma preocupação crescente. Segundo João Dias, já foram registradas 15 espécies de peixes introduzidas no Rio Jacuípe, no Lago de Pedra do Cavalo e também no Rio Paraguaçu. Muitas delas têm origem em outras regiões do mundo, como as bacias dos rios Mekong, no Vietnã, Nilo, na África, além da Amazônia e de países da América Central.

Essas espécies exóticas competem diretamente com os peixes nativos por alimento e espaço, alterando a dinâmica dos ecossistemas aquáticos. O ambientalista afirma que algumas espécies nativas já desapareceram ou tiveram suas populações drasticamente reduzidas ao longo dos anos.

“Entendemos que existe uma relação entre o desaparecimento de algumas espécies nativas e a introdução desses peixes exóticos. É uma situação muito preocupante e que precisa ser debatida pela sociedade e pelos órgãos ambientais”, destacou.

Especialistas alertam que a introdução de espécies fora de sua área natural é uma das principais causas da perda de biodiversidade em ambientes aquáticos, podendo provocar desequilíbrios ecológicos de difícil reversão.

Diante do aumento dos registros, ambientalistas defendem maior fiscalização sobre a criação e soltura de espécies exóticas, além de ações de educação ambiental voltadas para pescadores, produtores e comunidades ribeirinhas.

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