
O Grupo 2 de Julho, tradicional conglomerado empresarial de Feira de Santana com atuação nos segmentos de atacado alimentício e produção de café especial, ingressou formalmente com pedido de recuperação judicial. O processo tramita em regime de consolidação processual e substancial e envolve uma dívida total consolidada de R$ 137.211.947,13.
Considerado um dos mais relevantes casos de insolvência empresarial registrados no interior da Bahia nos últimos anos, o pedido busca viabilizar a reorganização financeira das empresas que integram o grupo, preservando suas atividades econômicas e os empregos gerados ao longo de décadas de atuação.
A trajetória do Grupo 2 de Julho teve início há mais de 30 anos, a partir da iniciativa do empresário José Avelino Borges da Silva, conhecido como “Zé Grande”. Natural de Feira de Santana, ele começou sua trajetória profissional como caminhoneiro e, durante viagens ao município de Mucugê, na Chapada Diamantina, identificou oportunidades no setor cafeeiro. O que começou com a compra e revenda de grãos evoluiu para uma estrutura empresarial que passou a atuar em diferentes etapas da cadeia produtiva, desde o cultivo até a industrialização e comercialização do café.
Ao lado da esposa, Zenilda Rebouças de Almeida, José Avelino também consolidou o Atacado 2 de Julho, empreendimento que se tornou referência no comércio atacadista feirense. A empresa foi formalizada em 1995 e ampliou sua participação no mercado regional ao longo dos anos.
A segunda geração da família passou a integrar os negócios com a atuação de Jullyana Almeida Borges, responsável pela condução da indústria de torrefação Café 2 de Julho. Sob sua gestão, a empresa investiu em certificações e no fortalecimento da marca, buscando conectar a produção das fazendas diretamente ao consumidor final.
Antes da crise financeira, o grupo chegou a manter cerca de 191 empregos diretos e recebeu reconhecimento institucional em Feira de Santana. Em 2019, José Avelino foi homenageado pela Câmara Municipal com a Comenda Maria Quitéria, enquanto Zenilda Rebouças recebeu o Título de Cidadã Feirense.
Com o pedido de recuperação judicial, o Grupo 2 de Julho passa a buscar mecanismos legais para renegociar suas obrigações financeiras e reestruturar suas operações. O andamento do processo será acompanhado pela Justiça, que deverá analisar o plano de recuperação a ser apresentado pelas empresas e deliberar sobre as medidas necessárias para a continuidade das atividades do grupo.