Bahia

Morre ex-ministro Raul Jungmann aos 73 anos

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Morreu na noite deste domingo (18), aos 73 anos, o ex-ministro Raul Jungmann. Ele estava internado no hospital DF Star, em Brasília, onde tratava um câncer na região abdominal descoberto em 2024. A confirmação foi feita pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), entidade que Jungmann presidia desde 2023.

Natural de Recife (PE), Jungmann acumulou uma trajetória de cinco décadas na vida pública, transitando da militância contra a ditadura militar a cargos de alto escalão em governos de diferentes ideologias. O velório será restrito a familiares e amigos próximos. Jungmann deixa esposa e dois filhos.

Jungmann ganhou projeção nacional durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Após presidir o Ibama, assumiu o Ministério da Reforma Agrária (1996-2002), período marcado por intensos conflitos no campo e pela implementação de programas de assentamento.

Anos mais tarde, retornou ao Executivo Federal no governo de Michel Temer (MDB). Em 2016, assumiu o Ministério da Defesa, estreitando laços entre o governo civil e a cúpula militar. Em 2018, foi nomeado para o recém-criado Ministério da Segurança Pública, pasta pela qual coordenou a intervenção federal no Rio de Janeiro e acompanhou o início das investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco.

No Legislativo, Raul Jungmann exerceu três mandatos como deputado federal por Pernambuco (2003-2011 e 2015-2016) e pelo antigo PPS (atual Cidadania). Também teve uma breve passagem pela Câmara Municipal do Recife entre seus períodos em Brasília.

Nos últimos anos, dedicou-se ao setor privado e à interlocução política institucional. Como presidente do Ibram, trabalhou na regulação do setor minerário e em pautas ambientais. Mesmo em tratamento paliativo ao longo de 2025, manteve diálogos com o atual governo federal sobre o regramento jurídico dos militares.

Notas de pesar

Lideranças de diversos espectros políticos manifestaram pesar. O ex-presidente Michel Temer destacou a capacidade de serviço ao país, enquanto o atual ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (PT), ressaltou seu espírito democrático. O ministro do STF, Gilmar Mendes, e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), também emitiram notas de pesar exaltando sua vocação para o diálogo institucional.

Mayara Nayllanne

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