Fórum discute violência no trânsito e aponta educação e prudência como caminhos para salvar vidas
A violência no trânsito, considerada hoje uma das principais causas de mortes evitáveis no Brasil, foi o centro do debate do 1º Fórum Vítimas de Violência no Trânsito, realizado nesta segunda-feira (15), no Auditório do Sest/Senat, em Feira de Santana. O evento foi promovido pelo Sicomércio Bahia, em parceria com a Câmara da Mulher Empresária (CME), e reuniu autoridades da saúde, segurança pública, educação e trânsito.
Com o tema “Por um trânsito mais seguro e humano”, o fórum teve como objetivo principal promover o diálogo entre instituições e buscar soluções práticas para reduzir acidentes e mortes, especialmente envolvendo motociclistas — maioria das vítimas na região.

Durante o encontro, a diretora do Hospital Geral Cleriston Andrade, Dra. Cristiana França, destacou a gravidade do cenário atual e classificou os acidentes de trânsito como uma verdadeira epidemia.
“Hoje nós estamos realizando o primeiro fórum voltado para a violência no trânsito, reunindo todas as autoridades ligadas a essa área, para que juntos possamos tomar decisões efetivas e mitigar essa grave epidemia que assola o Brasil, a Bahia e a região Centro-Leste”, afirmou.
Segundo a médica, dados parciais de janeiro a outubro de 2025 já apontam um número alarmante: mais de 3 mil pessoas deram entrada no HGCA vítimas de acidentes de trânsito, sendo que cerca de 70% envolvem motociclistas.
“Os principais traumas que recebemos são fraturas expostas de membros inferiores, traumatismo craniano e trauma de face, principalmente quando o motociclista não utiliza o capacete de forma correta”, explicou.
Além do impacto humano, Dra. Cristiana chamou atenção para o alto custo financeiro para o Sistema Único de Saúde (SUS).
“O SUS não tem preço, mas tem custo. Hoje gastamos mais de R$ 3 milhões por mês com internações, cirurgias, UTI, próteses e órteses. Esse dinheiro poderia estar sendo investido em melhorias do serviço, ambulâncias e ampliação da assistência”, alertou.
A médica finalizou com um apelo à população:“A pressa não leva a nada. Quando você sai de casa, deixa uma família. A maioria das vítimas são homens, provedores. Prudência salva vidas.”

Para o diretor do Sest/Senat de Feira de Santana, Daniel Corrêa, o fórum marca o início de um movimento contínuo de conscientização.“É um grande evento que reúne diversos atores responsáveis por impactar na redução dos sinistros. O Sest/Senat tem atuação permanente na segurança viária e se sente na obrigação de sediar e fortalecer esse debate”, destacou.
Daniel reforçou que a educação é o primeiro passo para a redução dos acidentes, especialmente na formação de condutores e motoristas profissionais.“Não existe outro caminho. A infraestrutura e a fiscalização são fundamentais, mas a educação é a base. Precisamos repensar a qualidade dos condutores que colocamos nas ruas.”

A Inspetora Lívia Marcelino, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), também participou do fórum e destacou a importância da integração entre instituições.“Um fórum como esse permite que as instituições conversem, dialoguem e atuem juntas para reduzir essas mortes que impactam profundamente a vida das pessoas e a capacidade produtiva da sociedade.”
Segundo a PRF, o anel de contorno de Feira de Santana é hoje um dos pontos mais críticos, com acidentes causados principalmente por colisões traseiras e transversais, muitas vezes decorrentes da falta de atenção ao acessar ou atravessar a rodovia.
A inspetora reforçou ainda a importância do uso correto dos equipamentos de segurança.“No caso das motocicletas, o capacete precisa estar devidamente afivelado. Ele faz toda a diferença entre a vida e a morte.”
Com a proximidade do fim de ano, Lívia anunciou o início do Programa Rodovida, que começa no dia 18 de dezembro, em Feira de Santana, com reforço na fiscalização até o período pós-Carnaval.




