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Carnaval reacende debate sobre identidade cultural e custos das festas populares, avalia Del Feliz

Às vésperas do Carnaval, a maior festa popular do país, o cantor e compositor Del Feliz reacende um debate que vai além da folia momesca e alcança diretamente o futuro das festas tradicionais brasileiras, como o São João. Em entrevista ao programa Levante a Voz, da Rádio Sociedade, o artista defendeu a necessidade urgente de resgatar a identidade cultural dos grandes festejos, alertando para a descaracterização cultural e a escalada dos custos públicos.

Segundo Del Feliz, o Carnaval é, por natureza, uma festa multicultural, marcada pela diversidade de ritmos, expressões artísticas e manifestações populares. No entanto, ele avalia que Salvador, referência mundial da folia, perdeu parte de sua identidade cultural ao longo dos anos, o que também tem impacto econômico e turístico.

“O Carnaval é a festa da mistura, mas ele precisa ter uma cara, uma identidade. Recife é um exemplo claro: quando valorizou o frevo, o maracatu e as manifestações regionais, a festa ficou mais atrativa culturalmente e mais viável economicamente”, afirmou.

Para o artista, o mesmo alerta que hoje ecoa entre prefeitos baianos sobre os altos custos do São João com cachês que chegam a ultrapassar R$ 2 milhões deve servir de lição para o Carnaval. Ele lembra que a ausência de critérios culturais e o excesso de atrações desconectadas da identidade local tornam as festas mais caras, menos autênticas e menos sustentáveis.

Del Feliz também pontuou preocupações com outros aspectos da festa carnavalesca, como letras de músicas que incentivam a violência, a sexualização precoce, o desrespeito às mulheres e às identidades de gênero. Apesar disso, evitou entrar em polêmicas diretas, reforçando que sua proposta é uma reflexão construtiva sobre responsabilidade cultural.

Mesmo sendo reconhecido nacionalmente como forrozeiro, Del Feliz destacou sua trajetória plural na música e sua participação em diferentes carnavais pelo país, como o Galo da Madrugada, em Recife. Em Salvador, ele confirmou que neste Carnaval fará uma homenagem ao compositor Carlos Pita, no Pelourinho, além de participações com músicos como Armandinho.

“A música é ampla. Eu me permito conviver com a diversidade musical, mas a tradição precisa ser respeitada. É isso que torna a festa mais bonita e faz com que as pessoas queiram participar dela”, ressaltou.

O artista finalizou defendendo que tanto o Carnaval quanto o São João devem ser tratados como festas culturais, com planejamento, responsabilidade no uso dos recursos públicos e valorização dos artistas e manifestações regionais. Para ele, somente assim será possível garantir a sobrevivência, a beleza e a relevância dessas celebrações para as próximas gerações.

Mayara Nayllanne

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