Ilha de luxo na Bahia ligada a ex-CEO do Banco Master esconde rede de fundos
Localizada ao norte do município de Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, a Ilha da Paixão tornou-se objeto de investigação sobre sua real propriedade. O terreno, que possui mais de 10 mil metros quadrados, conta com infraestrutura de luxo, incluindo praia privada, heliponto, piscina, sauna e quadra esportiva. Avaliada em R$ 20 milhões, a ilha teve seu direito de ocupação transferido em julho de 2023 por R$ 1,3 milhão para a empresa RC Participações.
As informações são da coluna de Milena Teixeira, do portal Metrópoles. Segundo a apuração, a estrutura societária da ilha envolve uma cadeia de fundos de investimento que aponta para o baiano Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima, ex-CEO do Banco Master.
Documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) enviados à CPI do Crime Organizado revelam que Lima é o único cotista do fundo Haena 808, controlador da empresa proprietária do imóvel.
A ilha, anteriormente denominada Ilha do Topete, pertencia ao empresário baiano Eduardo Valente. Registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmam a transferência do direito sobre o heliponto de Valente para a RC Participações no mesmo período da transação.
Após a compra, o local passou por uma reforma integral que incluiu demolições e novas construções, mobilizando dezenas de trabalhadores e profissionais de arquitetura.
Augusto Lima possui histórico de atuação relevante no mercado financeiro e no setor público da Bahia. Durante a gestão de Rui Costa (PT), o empresário venceu licitação para explorar o CredCesta, serviço voltado a servidores públicos estaduais. Recentemente, Lima esteve detido por 11 dias na Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, e atualmente cumpre medidas cautelares sob monitoramento de tornozeleira eletrônica.
Historicamente, o local foi palco de eventos e shows de artistas como Bell Marques, Carlinhos Brown e Daniela Mercury. Procurada para comentar as informações sobre a propriedade da ilha, a defesa de Lima informou que ele não irá se manifestar. O empresário Eduardo Valente também optou por não responder aos questionamentos.




