Feira de Santana

Falta de cuidadores deixa crianças autistas fora da escola em Feira de Santana

Pais de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) denunciaram à redação do Conectado News a falta de cuidadores na rede municipal de ensino de Feira de Santana. Segundo os relatos, estudantes estão sendo impedidos de frequentar as aulas por ausência de profissionais de apoio, situação que tem causado indignação e prejuízos ao desenvolvimento das crianças.

Uma das denúncias foi feita por Mario Soledade Neto, pai de uma criança autista de 10 anos, matriculada na Escola Municipal Eurides Franco de Lacerda, localizada no bairro Conceição. De acordo com ele, o filho está fora da sala de aula porque a unidade não dispõe de cuidador para acompanhá-lo durante as atividades escolares.

“Hoje eu falo como pai de uma criança autista de 10 anos que está fora da escola por falta de cuidador. E o mais triste é saber que meu filho não é o único. Existem muitas famílias vivendo essa mesma realidade na rede municipal”, relatou.

O pai afirma que a situação expõe a fragilidade da política de inclusão no município e cobra providências urgentes da Secretaria Municipal de Educação. Segundo ele, enquanto o discurso oficial defende a inclusão, na prática crianças com deficiência seguem enfrentando barreiras para ter acesso à educação.

“A gente luta tanto pela inclusão, pelo direito das nossas crianças serem aceitas, aprenderem e conviverem em sociedade, mas na prática muitas delas estão impedidas até de frequentar a escola. Isso dói muito”, desabafou.

Ainda conforme a denúncia, a ausência do cuidador compromete não apenas o aprendizado, mas também o desenvolvimento emocional e social das crianças. As famílias também acabam sendo diretamente afetadas, já que muitos pais e mães precisam abandonar trabalho e rotina para cuidar dos filhos em tempo integral.

“O cuidador não é um luxo. Para muitas crianças autistas ele é essencial para garantir segurança, acompanhamento e acesso real à educação. Inclusão não pode ser só um discurso bonito. Ela precisa acontecer dentro das escolas, com estrutura e apoio”, afirmou Mario.

Os pais cobram uma resposta imediata do poder público e reforçam que o acesso à educação inclusiva é um direito garantido por lei.

“O que estamos pedindo é apenas que os direitos das nossas crianças sejam respeitados”, concluiu.

A reportagem deixa espaço aberto para posicionamento da Secretaria Municipal de Educação de Feira de Santana sobre a denúncia e as medidas que serão adotadas para solucionar o problema.

Mayara Nayllanne

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