Movimento de caminhoneiros e motoristas pressiona governo após alta dos combustíveis e provoca atos na BR-324
A alta nos preços dos combustíveis já provoca impactos diretos nas estradas e nas grandes cidades. Na manhã desta quinta-feira (19), uma manifestação de caminhoneiros, mototaxistas, motoristas por aplicativo e carreteiros causou um longo congestionamento na BR-324, principal ligação entre o interior e Salvador. O ato reforça a pressão nacional da categoria por redução no custo do diesel e de outros combustíveis.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o protesto começou por volta das 8h50. Os manifestantes seguiram em deslocamento ocupando duas faixas da rodovia, deixando apenas uma livre para o tráfego. O grupo seguiu em direção ao Centro Administrativo da Bahia (CAB), causando cerca de 5 quilômetros de congestionamento.
A estimativa é de que aproximadamente 100 motocicletas e 50 automóveis participaram do ato. Os manifestantes cobram respostas imediatas do poder público, especialmente em relação à redução do ICMS sobre os combustíveis, além de medidas mais amplas para conter os constantes reajustes.
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A mobilização ocorre em meio a um movimento nacional articulado por entidades como a Associação Nacional de Transporte do Brasil (ANTB) – Liberdade e Trabalho. Em entrevista ao programa Levante a Voz, o presidente da entidade, José Roberto Stringasci, afirmou que a paralisação já começou em diferentes regiões do país e tende a crescer.

“Esse processo já foi iniciado. Tivemos movimentos em Santa Catarina, em Salvador e também em Santos. E, com esses aumentos constantes, mais caminhoneiros devem aderir, porque não há mais condições de trabalhar”, disse.
Segundo ele, o principal problema está na política de preços dos combustíveis, baseada na paridade internacional (PPI) – Preço de Paridade de Importação, que vincula os valores ao dólar e ao mercado externo. “O brasileiro ganha em real, mas paga combustível como se estivesse nos Estados Unidos. Isso torna tudo inviável”, criticou.
Stringasci também defende mudanças na tributação do setor. Entre as propostas, está o aumento da taxação sobre a exportação de petróleo e derivados, como forma de subsidiar o combustível no mercado interno e reduzir os preços nas bombas.
Além disso, a categoria denuncia o descumprimento do piso mínimo do frete, previsto na Lei 13.703/2018, que deveria ser reajustado automaticamente conforme a variação do diesel.
Impacto direto na população
Os manifestantes alertam que o problema vai além da categoria. Caso o preço do diesel continue subindo, haverá aumento no valor do frete e, consequentemente, no preço final dos produtos.
“Isso chega direto na mesa do brasileiro. Se aumenta o frete, aumenta o preço do arroz, do feijão, de tudo”, destacou o representante.
Medidas do governo
Diante da pressão, o governo federal anunciou algumas medidas para tentar conter os impactos ao consumidor. Entre elas, está um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que zera as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, reduzindo em cerca de R$ 0,32 o preço por litro.
Outra ação prevê o pagamento de uma subvenção no mesmo valor (R$ 0,32 por litro) para produtores e importadores do combustível.
Além disso, o governo também instituiu a tributação sobre a exportação de petróleo bruto, com o objetivo de incentivar o refino no Brasil e ampliar a oferta no mercado interno.
Apesar das iniciativas, os manifestantes consideram as medidas insuficientes e prometem intensificar os protestos nos próximos dias, o que pode ampliar os impactos no trânsito, no abastecimento e na economia em todo o país.
Por: Mayara Nailanne




