Feira de Santana recebe Giro do Sinpro Bahia em meio à campanha salarial e críticas à desvalorização de professores
Em meio à campanha salarial dos professores da rede privada, Feira de Santana recebeu nesta quarta-feira (22), mais uma etapa do projeto de interiorização do Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (Sinpro-BA). A iniciativa busca ampliar o diálogo com a categoria no interior e discutir os principais desafios enfrentados pelos trabalhadores da educação.
De acordo com o presidente do sindicato, Allysson Queiróz Mustafa, o projeto “Giro Sinpro Bahia”, lançado no ano passado, tem como objetivo aproximar a entidade das principais cidades baianas. Com 63 anos de atuação, o sindicato representa professores da educação básica privada e, há cerca de 16 anos, também do ensino superior privado.
A agenda inclui atividades em Feira de Santana e também em Cruz das Almas, com a participação de dirigentes e representantes da categoria. “A ideia é rodar o estado, fortalecer a presença do sindicato e trazer o debate para perto dos professores, especialmente neste momento de campanha salarial”, destacou o presidente.
Segundo ele, as negociações com o setor patronal enfrentam dificuldades. “Nos dois segmentos, tanto na educação básica quanto no ensino superior, temos problemas, porque os empregadores não querem negociar em bases mais justas para os trabalhadores da educação”, afirmou.
Um dos principais pontos levantados pelo sindicato é a diferença entre o piso salarial do magistério público e os valores praticados na rede privada. Enquanto o piso nacional da educação pública estabelece cerca de R$ 28,50 por hora-aula, na rede privada da Bahia o valor mínimo definido em convenção coletiva gira em torno de R$ 12.
Mustafa explica que a legislação do piso nacional é voltada exclusivamente para o setor público, o que deixa os professores da rede privada sem a mesma garantia. Ainda assim, a categoria defende que o valor sirva como referência também para o ensino privado. “Hoje, o professor da rede particular pode ganhar menos da metade por hora trabalhada, o que revela uma grande desvalorização”, pontuou.
O dirigente também rebate a percepção de que o ensino privado oferece melhores condições de trabalho. “Isso é um equívoco. A maioria dos professores da rede privada enfrenta salários e condições muito inferiores aos da rede pública”, concluiu.
O Giro Sinpro Bahia segue com atividades na região ao longo da semana, ampliando o debate sobre valorização profissional e condições de trabalho dos docentes no estado.




