Brasil

2025: O ano do desalinho entre os Poderes e da Resistência Democrática no Brasil

O ano político de 2025, salvo melhor juízo, se estabeleceu como um dos mais conturbados da recente trajetória democrática do Brasil. O desalinho entre os três Poderes da República revelou fragilidades na governança, evidenciou a crise de representação no Legislativo e, de forma paradoxal, reforçou a importância das instituições na proteção da democracia.

NO PLANO INTERNO
Desde o começo de seu mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem encontrado grandes desafios para estabelecer uma base consistente de apoio no Congresso Nacional. A fragmentação dos partidos, aliada ao aumento do poder do “Centrão”, força o Executivo a fazer concessões, o que tem um impacto direto na formação do ministério e na ocupação de posições estratégicas na administração federal. Assim, o tradicional “toma lá, dá cá” continua sendo o núcleo da política nacional.

A ilusão de que a divisão de espaços levaria à governabilidade mostrou-se enganosa, uma vez que o suporte parlamentar sempre foi instável, volátil e frequentemente condicionado a interesses imediatos. As votações tornaram-se incertas, e a ‘lealdade política’ – um artigo raro – mostrando que nesse cenário, as emendas parlamentares (individuais e de bancada) passaram a ter destaque, alcançaram valores bilionários e geraram questionamentos éticos e institucionais a respeito da utilização do orçamento público.

Foi nesse contexto que o Poder Judiciário atuou de maneira decisiva. A intervenção firme do ministro Flávio Dino, ao estabelecer restrições e impedir práticas ligadas ao denominado “orçamento secreto”, impactou diretamente o núcleo do sistema de negociações do Congresso Nacional e provocou resposta instantânea. Deputados e senadores começaram a retaliar o governo, bloqueando pautas que interessavam tanto ao Executivo quanto à sociedade e, com isso, condicionaram as votações a negociações que, em várias situações, visavam favorecer aliados políticos, incluindo aqueles envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.

O conflito institucional se tornou cada vez mais evidente quando os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário começaram a atuar sob constante tensão, fazendo de 2025 um ano de confrontos quase diários. Apesar disso, o presidente Lula adotou uma postura resoluta, confiando no diálogo institucional e na defesa explícita do regime democrático.

NO PLANO EXTERNO
No cenário internacional, as adversidades internas foram utilizadas por grupos políticos de extrema direita, que tentaram desestabilizar o governo brasileiro por meio de pressões externas. A relação com os Estados Unidos, caracterizada por sanções e tarifas impostas por motivos políticos, piorou. A estratégia adotada por esse grupo político parece ter produzido o efeito oposto: Lula usou sua experiência diplomática para reposicionar o Brasil no cenário internacional, fortalecendo alianças multilaterais e saindo ainda com mais força política.

POR FIM
Se fosse possível deduzir que algum Poder se sobressaiu em 2025, esse foi o Judiciário brasileiro. A atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), particularmente sob a liderança do ministro Alexandre de Moraes, foi fundamental no combate aos organizadores – ou tentadores – do(e) golpe(s). Com firmeza, rigor técnico e independência institucional, o STF realizou julgamentos significativos, impôs penalidades e reiterou que a democracia brasileira tem limites definidos contra tentativas autoritárias.

Alexandre de Moraes se transformou em um ícone dessa resistência institucional: resoluto nos processos, decidido nas decisões e inabalável na defesa do Estado Democrático de Direito. Embora sua atuação tenha gerado opiniões divergentes, ela se firmou como um dos pilares da estabilidade institucional em meio ao tumulto político.

Em suma, o balanço de 2025 mostra, a nosso ver, um país com sérios problemas de governança, um Legislativo refém de interesses imediatos e um Executivo sob pressão interna e externa. No entanto, também demonstra uma democracia que, apesar de estar sob ataques constantes, conseguiu reagir, e, nesse meio tempo, o resultado mais significativo desse processo parece evidente: os maus políticos, os golpistas e aqueles que violaram a Constituição começam a enfrentar as consequências de seus atos.

Em outras palavras, apesar do desalinho entre os Três Poderes da República Brasileira, a democracia do/no país se manteve firme, embora não sem custos.

FSA-BA, 19/12/2025.

Carlos Alberto – radialista, professor e mestre de cerimônias

Pedro Torres Filho – engenheiro agrônomo

Mayara Nayllanne

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Fonte: SECOM/BR Crédito da Imagem: © Reuter/Yuri Gripas e Marcelo Camargo/Agência Brasil O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu