Torcedor do Bahia é vítima de tentativa de homicídio em Feira de Santana
Com informações: Onildo Rodrigues
Por: Mayara Nailanne
Um momento de lazer terminou em violência extrema e quase em tragédia em Feira de Santana. O motorista por aplicativo Rangel Ramos das Chagas, torcedor assumido do Bahia, foi brutalmente espancado no fim da tarde do último sábado (27), após sair do trabalho e se dirigir a uma petiscaria no bairro Caseb. Segundo o relato da vítima, o ataque ocorreu unicamente por causa da camisa que ele vestia, em um episódio que escancara os riscos da intolerância e da violência associada a torcidas organizadas.
Rangel conta que havia encerrado suas atividades por volta das 16h30 e decidiu relaxar no estabelecimento de um amigo de infância, um ambiente familiar, frequentado por conhecidos, onde nunca havia se sentido ameaçado. Após comer e até cochilar à mesa, foi surpreendido por um grupo que se aproximou de forma agressiva. Inicialmente, ele acreditava que eram quatro pessoas, mas testemunhas afirmaram que cinco homens participaram da ação.
De acordo com a vítima, os agressores utilizaram soco inglês, soqueira e até chave de fenda contra ele, que estava completamente desarmado. O espancamento foi tão violento que, segundo Rangel, houve clara tentativa de homicídio. No momento do ataque, ele estava acompanhado da mãe do dono do estabelecimento, uma idosa de 67 anos, o que, ainda assim, não impediu a brutalidade. “Eles preferiram me espancar até me deixar sem vida. Tudo por causa de uma camisa”, desabafou.
Populares intervieram e uma senhora passou a gritar por socorro enquanto Rangel era agredido por vários minutos. Amigos que estavam no local só perceberam o que acontecia quando a violência já havia causado ferimentos graves. Ele perdeu muito sangue, sofreu pancadas na cabeça, ficou tonto e precisou de atendimento imediato. Uma enfermeira que estava nas proximidades realizou os primeiros socorros, fez compressão nos ferimentos e tentou estabilizá-lo, enquanto ele apresentava sinais preocupantes, como vômitos com sangue.
A Polícia Militar foi acionada e chegou rapidamente ao local. Um dos agressores foi contido por populares e, durante a abordagem, os policiais encontraram um soco inglês em sua posse. Segundo Rangel, pelo menos dois dos envolvidos usavam camisas de torcida organizada do Fluminense de Feira. Ele faz questão de esclarecer que nunca fez parte de torcida organizada alguma. “Sou torcedor do Bahia, mas sempre respeitei todos. Gosto do Fluminense de Feira por ser o time da minha cidade. Futebol, para mim, é resenha, alegria, não violência”, afirmou.
O episódio abalou profundamente a vítima, que teme pela própria segurança, mas garante que não deixará de torcer. “Eles não vão me calar. Meu sentimento pelo meu time continua, mas faço um alerta: as pessoas precisam ter mais cuidado. Nem todo mundo tem a sorte que eu tive de conseguir ajuda a tempo”, disse.
Rangel também fez um apelo emocionado por justiça. Pai de um menino de seis anos e filho de uma mãe idosa e doente, ele destacou que sua vida quase foi interrompida de forma banal. “Eu quase perdi a vida por causa de uma camisa. Isso eu não aceito. Quero justiça”, concluiu.




