Feira de Santana

Saiba qual é o hospital onde mãe denuncia negligência médica após morte de recém-nascido

Foto: Divulgação

A jovem Ângela Conceição, de 24 anos, moradora da Rua Tomé de Souza, em Feira de Santana-Ba, enfrenta o momento mais doloroso de sua vida após a morte do filho recém-nascido, João Bento, ocorrida na madrugada do dia 31 de dezembro 2025, no Hospital Francisca de Sande. O bebê morreu poucas horas antes da alta hospitalar, e a família denuncia uma sucessão de erros médicos, negligência e falta de assistência por parte da unidade de saúde.

Ângela deu entrada no hospital no dia 29 de dezembro 2025, data do parto, realizado por cesariana eletiva, procedimento escolhido de forma planejada. A alta médica estava prevista para o dia 31, véspera do Ano Novo. João Bento era um bebê muito esperado e planejado pela mãe e por toda a família. Segundo ela, o nascimento representava a realização de um sonho.

Durante a gestação, Ângela afirma ter realizado todo o pré-natal, com exames regulares e acompanhamento médico. João Bento nasceu com baixo peso, condição que, conforme explicado pelos médicos, estava relacionada apenas à genética dos pais, ambos de baixa estatura, sem qualquer diagnóstico de doença ou complicação de saúde.

Após o nascimento, o recém-nascido passou por todos os exames de rotina no próprio hospital, incluindo testes laboratoriais e avaliação cardíaca. De acordo com a mãe, o exame do coração foi realizado na noite do dia 30 de dezembro, por volta das 22h30, sendo repetido duas vezes pela médica responsável, que informou que o resultado estava normal. Não houve qualquer alerta médico sobre riscos à saúde do bebê.

Por não produzir leite materno, Ângela autorizou que o filho fosse alimentado com leite do Banco de Leite Humano, procedimento feito pelas enfermeiras do hospital dentro do quarto. Na madrugada do dia 31, por volta das 3h, uma profissional de enfermagem entrou no quarto, retirou o bebê para alimentá-lo e saiu do local. Minutos depois, ao retornar, entregou João Bento já desfalecendo nos braços da avó, que era a acompanhante naquele momento.

Quando Ângela recebeu o filho, ele deu o último suspiro em seus braços. Desesperadas, mãe e avó correram pelos corredores do hospital em busca de socorro. Segundo o relato, a equipe demonstrou despreparo, sem conseguir identificar rapidamente o que estava acontecendo ou realizar manobras eficazes de reanimação. A mãe afirma que não havia pediatra disponível no setor naquele momento.

A profissional que havia retirado o bebê do quarto não retornou mais, e até hoje, segundo a família, não houve esclarecimentos sobre o que ocorreu durante o período em que João Bento esteve sob os cuidados da enfermagem. Ângela relata que quem prestou apoio imediato foram funcionárias de outros setores, como faxineiras e assistentes sociais.

Inicialmente, a equipe do hospital cogitou registrar a morte como mal súbito ou causa indeterminada, o que gerou indignação na família, já que o bebê havia passado por exames poucas horas antes e estava clinicamente saudável. Diante da situação, os próprios familiares levaram o corpo de João Bento ao Departamento de Polícia Técnica (DPT).

O laudo pericial foi concluído e está sob análise dos advogados da família. Segundo Ângela, o documento descarta a hipótese de mal súbito e aponta que a causa da morte foi engasgo. Ela afirma que desde o primeiro momento percebeu sinais que indicavam essa possibilidade.

A mãe também denuncia a ausência total de suporte psicológico por parte do hospital após a morte do bebê. O único contato ocorreu dias depois, quando um dos obstetras enviou uma mensagem genérica de condolências por meio do WhatsApp, atitude considerada desrespeitosa pela família. Ângela também levanta a suspeita de violência obstétrica, negligência médica e possível tratamento discriminatório.

A família registrou Boletim de Ocorrência e ingressou com medidas judiciais. Ângela afirma ter consciência de que o filho não voltará, mas reforça que busca justiça para que outras mães não passem pela mesma situação. “Essa dor não vai passar, mas eu preciso da verdade”, declarou.

Mayara Nayllanne

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