Feira de Santana

Protetores independentes cobram políticas públicas para animais em Feira de Santana

A professora Suely dos Santos, doutora em Educação e protetora independente, utilizou o espaço do programa Levante a Voz, na rádio Sociedade News-FM para denunciar a grave situação da causa animal em Feira de Santana e cobrar ações urgentes do poder público. Representando os protetores independentes do município, ela destacou que, apesar da luta coletiva, a responsabilidade tem recaído quase exclusivamente sobre voluntários e a sociedade civil.

Segundo Suely, Feira de Santana conta atualmente com apenas duas ONGs formalizadas, a APA e a Patinhas de Rua. “Todos os demais são protetores individuais, que atuam de forma isolada, sem apoio estrutural do poder público”, explicou.

Ela alertou para o crescimento acelerado da superpopulação de animais, mesmo com campanhas de castração pontuais. “Não temos abrigos públicos para onde possamos encaminhar os animais resgatados. Os lares temporários estão superlotados e aumentando a cada dia”, afirmou.

Como exemplo da gravidade da situação, Suely citou números alarmantes: a protetora Karine Rocha abriga cerca de 140 animais, enquanto Patrícia Assunção cuida de aproximadamente 90. Além disso, áreas como a Universidade Federal são vistas pela população como locais para abandono. “Hoje existem lá mais de 120 cães e mais de 100 gatos, vivendo praticamente abandonados”, relatou.

Durante sua fala, a professora reforçou que a reivindicação não é apenas emocional, mas também jurídica. Ela lembrou que o artigo 225 da Constituição Federal impõe ao poder público o dever de proteger a fauna e promover a educação ambiental. Citou ainda a Lei nº 9.605/1998, atualizada pela Lei nº 14.064/2020, que trata dos crimes de maus-tratos contra animais, além do entendimento do Supremo Tribunal Federal, que reconhece os animais como seres sencientes, dotados de sentimentos e dignos de proteção.

“Estamos cansados. Precisamos de apoio emocional, apoio da população e, principalmente, de políticas públicas efetivas. Não é favor, é dever do Estado”, enfatizou Suely. Entre as ações urgentes, ela defendeu a criação de abrigos públicos, programas permanentes de controle populacional, castrações em larga escala e convênios com clínicas veterinárias. “Hoje, nós trabalhamos de forma gratuita para suprir uma obrigação do poder público, e isso tem adoecido muitos protetores emocionalmente”, disse.

A professora também destacou que está em andamento a construção de um projeto de lei municipal voltado à causa animal, com apoio do Dr. Pedro Américo. “Feira de Santana não possui uma legislação municipal que contemple de forma ampla a situação dos animais. Estamos trabalhando para mudar isso”, explicou.

Ao final, Suely fez um apelo à sociedade: “Existem pessoas fazendo um trabalho maravilhoso em Feira de Santana e, em vez de apoio, recebem críticas. Precisamos de união para fortalecer essa causa”.

O apresentador Luiz agradeceu a participação e reforçou o compromisso do programa com a pauta. Ele também mencionou a promessa do prefeito José Ronaldo Carvalho de construir um hospital veterinário municipal, expressando confiança de que o projeto será concretizado.

Em resposta, Suely reforçou a urgência: “Esperamos que essa promessa não fique apenas no papel. Não podemos esperar. Precisamos de ações agora”.

Mayara Nayllanne

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