Governo do Estado fechará três escolas em Feira: professores, alunos e comunidade protestam
Por Onildo Rodrigues e Hely Beltrão
O governo do Estado, através da SEC (Secretaria Estadual de Educação), segue com seu plano de fechar escolas tradicionais de Feira de Santana. Já noticiamos os protestos pelo fechamento da Escola Estadual Imaculada Conceição, no bairro Conceição, do Centro de Ensino e Cultura Dr. Eduardo Froes da Mota, no bairro Baraúnas e neste sábado (17) recebemos a informação de que Colégio Georgina Soares Nascimento, localizado no Centro da cidade também será fechado.
Ao Conectado News, o diretor financeiro do Centro Comunitário Luz e Labor e líder do movimento contra o fechamento do Colégio Georgina Soares Nascimento, Ivo Ferreira comentou sobre a importância da escola para a comunidade e por que o Centro Comunitário abraçou esta pauta.
“Somos representantes do Centro Comunitário Luz e Labor, instituição existente há mais de 20 anos e estamos com esse problema do fechamento do Colégio Georgina Soares Nascimento, que não soa muito bem para nós comunitários e pais de alunos, meus filhos se formaram aqui, hoje estamos nos deparando com esse fechamento que é um absurdo, estamos juntos com a sociedade civil através das informações que chegaram da unidade escolar, precisamos abraçar essa causa, esses alunos não podem sair daqui, a instituição Georgina Soares Nascimento tem uma longa história na comunidade, muitos pais hoje foram formados nesse colégio, por isso queremos que não seja fechado”.
Informação oficial da SEC
“Há três meses fomos comunicados sobre o fechamento da unidade escolar, com isso, nos comovemos com a situação e tivemos uma reunião com a diretoria do colégio, como a nossa instituição trabalha com jovens e adolescentes, nos sentimos obrigados a participar desse processo e estamos juntos com os professores, porque eles também têm participação ativa na formação desses jovens formados no colégio, estão agradecidos pela colaboração do Centro Comunitário e outras instituições de ensino, igrejas, estamos abraçando a causa independente da crença, o importante é estarmos unidos para evitar esse fechamento”.
Protesto marcado para o dia 19 de janeiro
“Faremos esse movimento na frente do colégio, de forma pacífica, utilizando apenas um lado da pista, não só o Centro Comunitário Luz e Labor, mas as comunidades do Sítio Matias, 35º BI, Terra Dura, Feira VII, Oyama Figueiredo, pois estão querendo distribuir nossos alunos para bairros como o Aviário, é complicada essa situação para as mães que acompanham suas crianças no dia a dia, a despesa aumenta devido a distância, pois vai depender do transporte coletivo”.
Claudiano da Hora de Cristo, professor
“Estamos diante de um problema grave, os professores e estudante estão em férias e fomos pegos de surpresa com a notícia de que a Secretaria Estadual de Educação (SEC) havia bloqueado matrículas de alunos novos para o Colégio Georgina Soares Nascimento, de turmas em pleno funcionamento até então, ou seja, a escola foi impedida de receber novos alunos, isso nos assustou, esta ação impacta gravemente na comunidade escolar que tem na instituição de ensino a quase 60 anos um espaço de oportunidade de estudo. Segundo ponto, é que dos 30 professores que atuam no colégio, mais da metade ficarão excedentes se a situação não for resolvida. Sabendo disso, na última semana, procuramos a gestão da escola, conversamos e vimos que a Secretaria de Educação, sem nenhum comunicado oficial, deliberou por essa medida. O terceiro ponto, é que foi iniciado em 2025, um curso técnico em Administração para alunos jovens e adultos, o PROEJA ADM, onde temos três turmas desse curso e os alunos estão impedidos de renovar a matrícula, mas, a orientação da SEC e do NTE 19 (Núcleo Territorial de Educação) e que esses alunos procurem outras escolas. O problema, é que esses alunos são trabalhadores que têm nessa escola a oportunidade de continuar seus estudos e estão impedidos de continuar, o fato mais grave é que tudo isso está sendo passado pela gestão da escola a nível de informe extra oficial, sem nenhuma transparência, que a decisão é essa. Quando os gestores da escola procuram seus representantes em Salvador, a informação recebida é que essa é uma decisão superior e não há o que fazer”.
Vitor Lucas, Aluno
“Para mim, o Georgina representa o acolhimento, pois, vim de outro município para aqui, onde me encontro há 4 anos, agora estou formado e fazendo o curso de Administração, uma boa oportunidade para a minha vida e de outras pessoas futuramente também. Estamos nessa luta porque vemos que a unidade escolar tem qualidade de estudo, é o melhor local para quem mora próximo, mais seguro, por isso, estamos lutando também pelo retorno do 9º ano. Lutamos por nossos direitos, o Georgina tem uma história muito linda na minha vida e de outras pessoas que passaram por lá, é um local de acolhimento para crianças, jovens, adolescentes e adultos”.
Aguardamos um posicionamento da SEC sobre o fechamento das 3 unidades escolares no município.




