Cultura

Palhaço Piruá desembarca em Feira de Santana com o projeto Palco Giratório do Sesc

Foto: Divulgação

O palco do Centro Cultural Sesc Feira de Santana recebe, nos dias 15 e 16 de maio, o talento do artista Rodrigo Bruggemann, o Palhaço Piruá. A circulação faz parte da 28ª edição do Palco Giratório, o principal projeto de difusão das artes cênicas do Sesc no país, que em 2026 percorre 113 cidades brasileiras.

Integrando a programação da Mostra Sesc de Artes – Aldeia Olhos D’Água, Piruá apresenta sua mais nova incursão teatral: “Sancho Pança – O Fiel Escudeiro”. Na trama, o palhaço encontra-se internado em um manicômio por acreditar ser o companheiro de aventuras de Dom Quixote. Com uma narrativa que mistura o riso, a loucura e a crítica social, o espetáculo convida o público a refletir sobre os heróis contemporâneos e os “moinhos midiáticos” do sistema.

Além da apresentação, o projeto reafirma seu compromisso com a formação artística promovendo uma oficina gratuita de 3 horas na sexta-feira (15/05). Voltada para artistas, estudantes e interessados na linguagem do palhaço, a atividade busca compartilhar as técnicas e o “estado de vibração” que Rodrigo Bruggemann lapidou ao longo de seus 20 anos de carreira.

PROGRAMAÇÃO EM FEIRA DE SANTANA

OFICINA (3h)
Data: Sexta-feira, 15 de maio de 2026
Horário: Das 18h às 21h
Local: Centro Cultural Sesc Feira de Santana
Investimento: Gratuito
Inscrições: https://linktr.ee/sescfeira?utm_source=linktree_profile_share
ESPETÁCULO: SANCHO PANÇA – O FIEL ESCUDEIRO
Data: Sábado, 16 de maio de 2026
Horário: 16h
Local: Centro Cultural Sesc Feira de Santana
Ingressos: Gratuito (não tem retirada de ingressos)
No universo do milho, o “piruá” é aquele grão persistente que se recusa a estourar. Mas, na contramão da lógica da cozinha, Rodrigo Bruggemann provou que nem todo milho nasceu para ser pipoca; alguns nasceram para ser palhaços. Há duas décadas, o artista paulista radicado em Natal, no Rio Grande do Norte, dá vida ao Piruá, uma figura que transita com maestria entre o circo clássico, o teatro e o clown, desafiando definições rígidas e emocionando plateias de todas as idades.

Rodrigo trilhou um caminho incomum. Formado em Artes Gráficas em São Paulo, trocou o ambiente das agências de publicidade e, posteriormente, a rotina de uma oficina mecânica, pela liberdade das pernas de pau. Em 2002, ao mudar-se para Natal, a arte que pulsava dentro de si ganhou corpo. Ao lado do parceiro Uilo Andrade, começou a desbravar as ruas e palcos da cidade, culminando na fundação do prestigiado grupo Tropa Trupe, em 2006.

Sua formação é robusta e internacional, com passagens pela escola argentina Circo Criollo e mentoria de mestres como Wálter Velázquez e Adelvane Néia. Foi nesse mergulho técnico e existencial que Piruá finalmente “estourou” dentro de Rodrigo, revelando-se não como um personagem, mas como um estado de vibração: um Rodrigo aberto, livre e sem filtros.

Diferente dos arquétipos de palhaços puramente histriônicos, Piruá se permite a vulnerabilidade. Rodrigo leva para o palco suas angústias, alegrias e, frequentemente, suas lágrimas. Não são lágrimas de tristeza, mas “lágrimas de pipoca”: um transbordamento emocional de quem vive o sonho compartilhado com o público. Para Bruggemann, a experiência da rua, consolidada em apresentações solo por praças de Natal, é o que define sua arte. Sem a hierarquia dos palcos elevados, ele se coloca na mesma altura do público, criando um espaço onde o pertencimento é a regra.

Mayara Nayllanne

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