Paço Municipal Maria Quitéria: 100 anos de história
Por Luiz Santos, Hely Beltrão e Onildo Rodrigues
Aconteceu na noite da terça (7), a cerimônia de comemoração dos 100 anos de construção do Paço Municipal Maria Quitéria, prédio onde hoje é a sede da Prefeitura Municipal de Feira de de Santana. Ao Conectado News, o secretário municipal de Planejamento, Carlos Britto, conta um pouco sobre a história do imóvel.

“Cem anos, que representa 100 anos de glória, alegria e tristeza, é o símbolo da representação dessa cidade onde tem um prédio dessa magnitude em pleno século 21, isso é muito importante, é compromisso com a preservação, com o seu povo e cada um de nós”.
Como foi feito o levantamento
“Fomos à Folha do Norte, cartórios, escrituras, fizemos uma garimpagem muito forte, tanto que agora em abril estaremos lançando um livro sobre o Paço Municipal, com documentos, registros, mostrando as plantas, desapropriação, toda a história será contada da maneira como aconteceu”.
Nomenclatura – Paço
“Paço é uma simbologia da monarquia portuguesa, vem da Europa, onde os palácios se chamavam Paço, é o conhecimento que tenho. Antes desse prédio, aqui existiam duas casas, uma do coronel Felipe Pedreira de Cerqueira e mais duas de um cidadão chamado Gabriel foram desapropriadas, abriram um trecho da Avenida Getúlio Vargas e construíram”.
Vivaldo Lima, restaurador
“A segunda restauração, realizada em 2007, foi feita pelo IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia), mas a primeira, feita por mim foi em 1972, quando eu tinha 22 anos.
Prefeito José Ronaldo
Prefeito José Ronaldo (UB), conta um pouco de sua história, ao entrar como datilógrafo, em seguida chefe de setor e atualmente prefeito pela quinta vez.

“Cheguei nessa cidade em uma quarta-feira, Faustino me trouxe com ele para trabalhar aqui como datilógrafo, posteriormente fui trabalhar na Secretaria de Obras, onde após entrar como datilógrafo terminei como chefe do setor. Me lembro que vim conversar com o prefeito da época, Nilton Falcão, e Juraci Dórea, que era o secretário, me convidou, quando me apresentou, indicando meu nome para ser chefe do setor, Nilton Falcão olhou para meu cabelo imenso grandão e disse: “esse cabeludo?”. Essas coisas marcam as nossas vidas, a nossa história, é um prazer enorme viver esse momento, 100 anos de história não são 100 dias, é muito tempo, me sinto muito feliz por estar sendo prefeito nesse momento”.
Imaginou ser um dia prefeito?
“Aconteceu naturalmente, não imaginei ser vereador nem prefeito, vereador aconteceu de uma forma muito natural, para prefeito, antes de ser candidato fui convidado em duas oportunidades, agradeci o convite mas não aceitei, terminou acontecendo em 2000, e penso que era o momento certo, é um prazer muito grande viver esse momento e participar de tudo isso que aconteceu nessa cidade”.
Ex-prefeito Colbert Martins
O ex-prefeito Colbert Martins (PSDB), relatou uma história contada a ele por seu pai, ocorrida no paço municipal durante o período da Ditadura Militar no Brasil.

“É uma data de importância muito grande para Feira de Santana como um todo, além do Poder Executivo, é muito importante dizer que nesse salão funcionou durante muito tempo a Câmara de Vereadores, é um fato que eu lembro, meu pai me disse, deve ter acontecido exatamente nesse período, em abril de 1964, esse prédio foi cercado por soldados e nesta sala se reuniram membros da Câmara de Vereadores para depor Chico Pinto, mas como ele tinha maioria na Câmara, fizeram reunião 3,4 vezes na semana e não conseguiram derrubar do ponto de vista legal, e o major que comandava aqui sentado na mesa disse: “faz a ata e derruba de qualquer jeito”. Esse é um local mais do que histórico apenas dos 100 anos, há 62 anos vivemos um episódio extremamente forte em nossa cidade, mas é importante que esse prédio permaneça muito como história, eu defendo cada vez mais, que aqui se torne uma história que possa ser contada a cada momento, escrita com vídeo, áudio, e mais importante, é que este prédio possa se transformar num grande centro cultural, a prefeitura pode até ficar ao lado, mas nesse momento ele se torna muito mais forte como cultura”.














