
Antes da estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, contra o Marrocos, neste sábado (13), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, um ritual de bastidor ajuda a definir o clima do grupo comandado por Carlo Ancelotti. Quem revelou detalhes foi Paul Clement, principal auxiliar do treinador italiano e um de seus homens de confiança.
Em entrevista ao The Athletic, o inglês descreveu como imagina o vestiário do Brasil nos minutos que antecedem a partida. A cena combina concentração, música, silêncio e gestos típicos de jogadores antes de um jogo decisivo. Em um canto, alguns fazem embaixadinhas. Em outro, atletas permanecem de fones de ouvido. Há quem se alongue, receba tratamento ou apenas fique concentrado nos próprios pensamentos.
A trilha sonora, segundo Clement, não poderia ser outra. “Obviamente, música brasileira”, resumiu.
O auxiliar afirma, porém, que o momento mais marcante acontece pouco antes de a equipe deixar o vestiário. À medida que a hora do jogo se aproxima, a atmosfera muda. A música diminui, as conversas ficam mais discretas e o elenco se reúne para um momento coletivo de reflexão e oração.
“É um ambiente muito religioso e espiritual. Existe uma oração antes do jogo e outra depois. Normalmente ela é precedida por algumas palavras do capitão, de um jogador mais experiente, do treinador ou de alguém da federação. É algo muito bonito”, afirmou.
Para Clement, o ritual tem efeito direto sobre a conexão interna do elenco. “Isso cria união, camaradagem e aproxima ainda mais o grupo”.
A força dos líderes também foi destacada pelo auxiliar. Ao analisar a Seleção, ele apontou jogadores como Marquinhos, Alisson, Casemiro e Danilo como referências importantes para o funcionamento do vestiário.
“A espinha dorsal da equipe é muito forte. O que eu gosto nesta seleção é que ela tem lideranças muito sólidas. Existe um respeito genuíno pelos jogadores que construíram uma longa história na seleção brasileira”.
Segundo Clement, essa hierarquia natural facilita a convivência entre gerações diferentes. “Os mais jovens admiram muito os jogadores que já disputaram 80, 90 ou mais de 100 partidas pelo Brasil. Isso ajuda a manter uma certa ordem dentro do grupo”.
O auxiliar também vê em Ancelotti um diferencial para lidar com a pressão brasileira. Ao longo da carreira, o italiano comandou vestiários estrelados em clubes como Chelsea, Paris Saint-Germain, Bayern de Munique e Real Madrid.
“Carlo nunca procura conflito. Ele tenta extrair o melhor das pessoas. Já o vi assumir vestiários que poderiam ser considerados difíceis e administrá-los de forma brilhante”.
A experiência do técnico será colocada à prova em uma Seleção que carrega a cobrança pelo fim do jejum mundial iniciado após o título de 2002. Clement afirma perceber a dimensão da expectativa em torno da campanha brasileira.
“Todos falam da sexta estrela. O Brasil está desesperado para conquistar o próximo título mundial”.