
O cantor Gusttavo Lima será o artista com o maior cachê dos festejos juninos da Bahia em 2026. Com apresentação marcada para o dia 25 de junho, no município de Itabuna, o sertanejo receberá R$ 1,5 milhão pelo show, conforme informações divulgadas pelos organizadores do evento.
O valor coloca o artista no topo da lista de atrações mais bem remuneradas do São João baiano, superando a dupla Zé Neto & Cristiano, que receberá R$ 905 mil por apresentação em três shows programados no estado.
A contratação ocorre em meio a um debate sobre os gastos públicos destinados às festas juninas. Na última quarta-feira (10), o Ministério Público da Bahia (MP-BA) ingressou com representação junto ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), solicitando a revisão e adequação de cachês artísticos contratados para o Itapedro 2026, em Itabuna.
Segundo o MP-BA, alguns valores pagos a artistas apresentaram reajustes acima dos índices inflacionários. O órgão destaca que, em 2024, Gusttavo Lima recebeu R$ 1,1 milhão por uma apresentação em Luís Eduardo Magalhães. Comparado ao cachê de R$ 1,5 milhão previsto para 2026, o aumento é de aproximadamente 36,4%.
A promotora de Justiça Rafaella Silva Carvalho afirmou que o levantamento realizado pelo Ministério Público identificou reajustes considerados elevados em diversos contratos artísticos.
“O levantamento apontou percentuais de aumento superiores à variação inflacionária para diversos artistas. Entre os casos identificados estão João Gomes, com valor 46,2% superior à média de referência; Natanzinho Lima, com 35,78%; Dorgival Dantas, com 29,87%; Pablo, com 27,93%; Thiago Aquino, com 26,8%; e Gusttavo Lima, com 16,85%”, informou a promotora.
Além da redução de valores considerados acima dos parâmetros estabelecidos pelos órgãos de controle, o MP-BA requer a apresentação dos processos administrativos de inexigibilidade de licitação relacionados às contratações artísticas, especialmente aquelas de maior valor. O órgão também solicita a responsabilização de gestores e eventual ressarcimento ao erário em casos de descumprimento das recomendações.
O debate sobre o crescimento dos cachês artísticos não é recente. Em dezembro de 2025, o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (União Brasil), revelou que desistiu de contratar o cantor Bell Marques para a Micareta de Feira de 2026 após não chegar a um acordo sobre o valor da apresentação.
Segundo o gestor, o cachê solicitado pelo artista passou de R$ 750 mil, pagos na edição anterior, para R$ 1,2 milhão, representando um aumento de 60%.
Já em fevereiro deste ano, uma comissão formada por prefeitos baianos se reuniu na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB) para discutir critérios e limites para contratações artísticas nos festejos juninos. O encontro resultou na elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), construído em parceria com o Ministério Público.
O presidente da UPB e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso, defendeu a necessidade de compatibilizar os reajustes dos cachês com a realidade econômica dos municípios.
“É uma resposta ao clamor da opinião pública, dando lisura ao gasto. A inflação subiu 4,6%, o piso do professor subiu 5,4%, então achamos razoável que se avalie esses aumentos de cachês de forma desproporcional”, afirmou.
Dados do Painel de Transparência dos Festejos Juninos apontam que 410 municípios baianos e o Governo do Estado informaram gastos superiores a R$ 615 milhões com atrações artísticas em 2026.
Segundo o levantamento, foram cadastradas 4.393 apresentações de 2.115 artistas. Do total de municípios participantes, 382 informaram a realização de festas juninas com contratação de atrações, enquanto 28 comunicaram que não promoverão festejos neste ano.
Os gestores que prestaram informações dentro do prazo receberão o Selo de Transparência em cerimônia promovida pelo Ministério Público da Bahia no próximo dia 16, em Salvador.
De acordo com o MP-BA, acordos firmados com artistas e empresários do setor já proporcionaram uma economia superior a R$ 21 milhões aos cofres públicos. Até o momento, 44 artistas e bandas aderiram voluntariamente à iniciativa de redução dos valores cobrados para apresentações nos festejos juninos.
A economia estimada é de R$ 21,05 milhões, representando uma redução média de 11,57% nos cachês analisados. Entre os artistas que aderiram ao compromisso estão Adelmário Coelho, Mastruz com Leite, Limão com Mel, Solange Almeida, Paula Fernandes, Devinho Novaes e Netto Brito.
Por outro lado, a medida também gerou reações contrárias. O cantor Flávio José anunciou que não realizará apresentações na Bahia durante o São João de 2026. Em publicação nas redes sociais, o artista afirmou que a redução do cachê inviabilizou sua participação nos festejos e classificou a situação como um desrespeito à sua trajetória artística.
Após a decisão, a Prefeitura de Feira de Santana confirmou a contratação de Santanna, o Cantador, para substituir Flávio José na programação do São Pedro de Bonfim de Feira, marcada para o dia 27 de junho.