“Não seguiremos com o PT”, diz Kleber Rosa, ao apontar divergências com a atual gestão do Estado
Por Luiz Santos e Hely Beltrão
Em entrevista ao Conectado News na noite da quinta (16), um dos principais nomes do PSOL na Bahia, Kleber Rosa, comentou sobre as pretensões do partido na Bahia para as eleições 2026. Rosa, que nas últimas eleições foi o candidato da sigla para o cargo de governo do Estado, abriu mão de sua candidatura este ano para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), assumindo em seu lugar, o presidente estadual do PSOL, Ronaldo Mansur que terá como vice a professora e historiadora Meire Reis.
“O PSOL já está com a chapa definida, com Ronaldo Mansur, como pré-candidato a governador, temos a professora Deliana, de Itabuna, no Sul da Bahia, como senadora, estamos terminando de montar a chapa para federal e estadual, mas já temos alguns quadros definidos, a vereadora Eliete Paraguaçu por exemplo, vem como candidato a federal, o professor Hamilton Assis, dois vereadores de Salvador, estou como pré-candidato a deputado estadual. Nosso balanço é que o PSOL repetirá um pouco do que foi a eleição de 2024 na perspectiva do seu crescimento, apostando que o partido vem de um ritmo de crescimento, conseguiu se posicionar bem nas últimas eleições no debate eleitoral, alcançando setores mais amplos da sociedade do ponto de vista do discurso do alcance do debate e isso refletiu por exemplo no aumento do nosso número de vereadores eleitos na Bahia, em Salvador saímos de uma para duas vagas e nossa avaliação é que conseguiremos repetir isso na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).
Independência do PT
“O PSOL tem uma Federação com a Rede Sustentabilidade, com quem vamos marchar nesse processo eleitoral mantendo a nossa autonomia em relação ao PT, que já tem algum tempo de governo na Bahia, um campo amplo dos setores da centro direita, que aglutina partidos inclusive do campo da direita e mantemos nossa autonomia e identidade política, defendendo um projeto que se que se orienta pelas pautas tradicionais da esquerda, entendemos que é necessário preservar e defender esse projeto, de afirmação contundente da defesa da ampliação de direito dos trabalhadores, da luta contra o racismo, pelos territórios indígenas e quilombolas, pauta fundamental para nós, nesse sentido, a nossa avaliação é que conseguimos manter a nossa autonomia e identidade seguindo fora desse eixo do PT”.
Divergências na política de segurança pública com o atual governo
“Antes de qualquer coisa eu quero me solidarizar com os policiais, trabalhadores das polícias Civil e Militar e com seus familiares, lamentar o fato dos trabalhadores estarem expostos à violência. Falamos muito da ação da polícia numa perspectiva violenta e muitas vezes deixamos de reconhecer que o policial também é uma vítima dessa mesma violência, muitas vezes promovida pelas instituições policiais, é muito importante dizer que a escolha que se faz por esse modelo de segurança pública, penaliza o nosso povo e os policiais, que também são expostos a essa violência, obviamente esse é o nosso ponto central da crítica e a diferença em relação ao governo do Estado da Bahia, nos posicionamos criticamente ao modelo de segurança pública, voltado ao confronto, letalidade, produção de cadáver como suposta solução para a violência, como mecanismo de enfrentamento do crime e a nossa leitura com base nos próprios dados que a história nos mostra, com esse nível de letalidade o que vemos é a consolidação do crime organizado, vemos o crescimento da violência, mostrando que o caminho escolhido até aqui é equivocado, esse é o nosso maior ponto de diferença, sobretudo se partirmos da origem da nossa militância no movimento negro, sabemos que o povo penalizado com essa violência é o povo negro que vive nas favelas, nas periferias, que são estigmatizados e sofrem toda essa violência, seja por parte do Estado, através das polícias, seja por estar submetido aos controles territoriais impostos pelas facções com todo esse ambiente de violência, nosso povo está submetido a isso, um dos pontos que colocamos, por exemplo, quando apoiamos Jerônimo Rodrigues (PT), no segundo turno da última eleição, era justamente a garantia de que os policiais teriam fardamento e câmeras corporais, e até hoje não foi implementado de maneira a impactar na diminuição da violência, sem dúvida nenhuma, esse é um ponto que nos diferencia e que nos impede de estabelecer uma aliança, para além de outras questões, avaliamos que na pauta do meio ambiente há uma fragilização das leis de proteção na Bahia, que beneficia o agronegócio, que é um setor predatório do ponto de vista ambiental, que promove desmatamento, grilagem de terra, ação de expulsão das comunidades quilombolas, que termina gerando violência no campo quando disputa território com as comunidades indígenas, como acontece de forma violenta no Sul da Bahia, a fragilidade da política de meio ambiente também é um ponto de divergência absoluta nossa com a gestão do Estado da Bahia, que nos diferencia e distancia para ficar nesses dois exemplos, mas poderíamos trazer uma série de outras questões que nos coloca em rota diferente do ponto de vista de um projeto de Estado”.




