Morre Ricardo Schnetzer, dublador de Tom Cruise e Nicolas Cage
Morreu nesta quarta-feira (4), aos 72 anos, Ricardo Schnetzer, um dos nomes mais reconhecidos da dublagem brasileira. O artista enfrentava a esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa que compromete progressivamente o sistema nervoso.
A morte de Schnetzer repercutiu entre fãs, colegas de profissão e admiradores de diferentes gerações, que acompanharam seu trabalho em filmes, séries, animações e novelas estrangeiras exibidas no Brasil.
Enfrentamento da doença
Diagnosticado com ELA, o dublador vivia um quadro delicado nos últimos anos. Diante dos altos custos do tratamento, que incluíam enfermagem em tempo integral e fisioterapia respiratória, amigos, familiares e fãs organizaram, no início deste ano, uma vaquinha online.
A campanha tinha como meta arrecadar R$ 200 mil e alcançou pouco mais de R$ 118 mil, refletindo o reconhecimento ao seu legado e a importância de sua contribuição para o audiovisual brasileiro.
Uma carreira que atravessou gerações
Nascido no Rio de Janeiro, em 13 de abril de 1953, Ricardo Schnetzer iniciou a carreira artística na década de 1970. Formou-se na Escola de Teatro da Federação das Escolas Isoladas do Estado da Guanabara (FEFIEG), atual Unirio, onde estudou entre 1973 e 1976, e rapidamente se consolidou como uma das vozes mais requisitadas do país.
Ao longo de quase 50 anos de trajetória, tornou-se conhecido por dublar grandes nomes de Hollywood, sendo frequentemente associado a atores como Tom Cruise, Al Pacino, Richard Gere, Nicolas Cage, além de John Cusack, Patrick Swayze, Kurt Russell, Daniel Day-Lewis e John Turturro.
Entre seus trabalhos mais lembrados estão personagens como Tony Montana, de Scarface; o piloto Maverick, de Top Gun; e Edward Lewis, de Uma Linda Mulher.
Presença marcante em animações e séries
Schnetzer também teve atuação relevante no universo das animações e dos animes. Emprestou a voz a personagens que marcaram a memória afetiva do público, como Hank, de Caverna do Dragão; Capitão Planeta; Slade, de Jovens Titãs; e Albafica de Peixes, em Os Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas.
Participou ainda de produções de grande alcance, como Kung Fu Panda, Apenas um Show, Madagascar 2 e Madagascar 3. Na teledramaturgia estrangeira, foi a voz brasileira do ator mexicano Fernando Colunga, em novelas como A Usurpadora.
Atuação como diretor e formador
Além da dublagem, Ricardo Schnetzer teve papel relevante na formação de profissionais do setor. Iniciou a carreira como diretor de dublagem nos estúdios Herbert Richers, onde atuou por cerca de 15 anos, e também trabalhou em estúdios como Audio Corp, Bluebird e Alcateia.
Em 2016, participou da radionovela Herança de Ódio, exibida dentro da novela Êta Mundo Bom!, da TV Globo, ampliando ainda mais sua atuação artística.




