Morador denuncia obra irregular e risco estrutural em condomínio de Feira de Santana
Um morador do condomínio Vila de Itália, em Feira de Santana, denunciou, em entrevista ao Conectado News, uma suposta obra irregular em um dos apartamentos do térreo que pode comprometer a estrutura do prédio. Segundo ele, intervenções como quebra de paredes, alterações em lajes e modificações em áreas comuns teriam sido realizadas sem acompanhamento técnico e sem a devida autorização de órgãos competentes.

De acordo com o denunciante, identificado como Vicente, proprietário de uma unidade no bloco Bila, as obras começaram ainda no ano passado. Ele afirma que alertou o síndico do condomínio, Evandro Barbosa, e a empresa administradora, mas recebeu a informação de que a intervenção estaria regular. “Quebraram as caixas de ar-condicionado, fizeram rasgos na laje e uniram estruturas. Isso não pode ser feito em prédio de apartamento, porque compromete toda a edificação”, relatou.

Vicente também questiona a ausência de responsabilidade técnica na obra. Segundo ele, não houve identificação de engenheiro ou arquiteto responsável, como exigem normas do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia. “Foi feito por pedreiro e ajudante, sem placa, sem projeto, de forma clandestina”, afirmou.
Procurado pela reportagem, o síndico Evandro Barbosa afirmou que a intervenção no imóvel foi previamente comunicada à administração do condomínio e que houve orientação para que o morador seguisse as normas técnicas exigidas. Segundo ele, a gestão também notificou os condôminos, por meio de comunicado interno, sobre a obrigatoriedade de acompanhamento por profissional habilitado em qualquer tipo de reforma que possa afetar a estrutura. O síndico destacou ainda que, caso sejam constatadas irregularidades, as medidas cabíveis serão adotadas conforme o regimento interno e a legislação vigente.
Preocupado com possíveis riscos, o morador buscou órgãos públicos. Ele relata ter procurado a Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SEDU), a Defesa Civil e o Ministério Público. No entanto, até o momento, nenhuma medida efetiva teria sido adotada para interromper ou avaliar a obra. “Ficam empurrando a responsabilidade. E se acontecer algo mais grave? Só depois vão lamentar”, criticou.
A administradora do condomínio chegou a emitir, no dia 31 de março, um comunicado interno reforçando que reformas que envolvam cortes, demolições ou alterações em paredes não devem ser realizadas sem avaliação técnica, pois podem comprometer a integridade estrutural. O documento, porém, foi divulgado após a conclusão da obra denunciada.
Além do risco estrutural, o morador aponta outros problemas decorrentes da intervenção, como infiltrações, acúmulo de água e proliferação de mosquitos. Ele também afirma que tentou vender o imóvel, mas a negociação não avançou porque instituições financeiras, como a Caixa Econômica Federal, não financiam unidades com irregularidades estruturais.
A reportagem do Conectado News informou que continuará acompanhando o caso, além de ouvir especialistas nas áreas jurídica e de engenharia para esclarecer quais medidas podem ser adotadas. Enquanto isso, moradores seguem apreensivos diante da possibilidade de danos maiores.





