Feira de Santana

Imprudência e distração seguem fazendo vítimas nas rodovias durante operações de fim de ano

Enquanto muitos motoristas enxergam o fim de ano como sinônimo de estrada livre e pressa para chegar ao destino, as rodovias federais que cortam a região de Feira de Santana revelaram um cenário bem diferente: imprudência, distração ao volante e escolhas arriscadas que custaram vidas. É esse o retrato traçado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) ao fazer o balanço das operações realizadas durante o Natal e o Ano Novo.

Durante participação no programa Levante a Voz, o inspetor Ivanildo Cirqueira, chefe da Delegacia da Polícia Rodoviária Federal em Feira de Santana, explicou que as ações fizeram parte da Operação Rodovida, que reforçou o policiamento com agentes de folga e policiais vindos de outros estados. A Operação Natal ocorreu entre os dias 23 e 28 de dezembro e registrou dez sinistros, sendo cinco graves e dois com mortes. Já no período do Ano Novo, entre 30 de dezembro e 4 de janeiro, foram contabilizados dez sinistros, oito deles graves, com cinco óbitos.

Apesar do aumento do efetivo e da fiscalização ostensiva, a PRF ainda flagrou uma série de condutas de risco nas estradas. Ultrapassagens em faixa contínua, ocupantes sem cinto de segurança, principalmente no banco traseiro, uso de celular ao volante e recusas ao teste do bafômetro estiveram entre as infrações mais recorrentes.

Segundo Evanildo, esse comportamento ajuda a explicar o aumento dos sinistros em relação ao ano anterior. “A gente reforça a fiscalização, mas também percebe um crescimento significativo das infrações. Isso acaba refletindo diretamente no número de acidentes”, afirmou.

Entre os registros do Ano Novo, chamaram atenção sinistros envolvendo automóveis e motocicletas, além de dois atropelamentos ocorridos em trechos sem passarela ou infraestrutura adequada para pedestres. Também houve um acidente envolvendo um ciclista que acessou a rodovia de forma inadvertida, resultando em uma colisão fatal.

O uso do celular ao volante foi apontado como um dos principais fatores de risco. De acordo com o policial, o aparelho é um dos maiores elementos de distração no trânsito. “Você não consegue dar atenção ao celular e à direção ao mesmo tempo. Aqueles segundos olhando a tela podem ser decisivos para provocar um sinistro grave”, alertou.

Em relação à distribuição dos acidentes, a BR-116 concentrou todos os sinistros com vítimas fatais no período analisado. Já as infrações foram registradas nas três rodovias sob responsabilidade da PRF na região: BR-116, BR-324 e BR-242. Ultrapassagens proibidas foram mais comuns nas BRs 242 e 324, enquanto a BR-116, por contar com trechos duplicados, apresentou menor incidência desse tipo de infração.

Questionado sobre o uso de tecnologia no combate às irregularidades, Evanildo explicou que, embora a PRF em nível nacional avance no uso de inteligência artificial e drones, na região de Feira de Santana o trabalho ainda se concentra na fiscalização presencial e preventiva. No entanto, ele destacou que em locais onde drones são utilizados, é possível identificar infrações à distância, inclusive casos em que motoristas tentam trocar de condutor antes de uma abordagem policial.

Segundo o policial, se houver registro visual ou prova da infração, a PRF pode autuar o condutor mesmo que ele tente se esquivar no momento da abordagem. “Havendo comprovação, é possível sim tomar as providências cabíveis”, explicou.

Ao final, Evanildo reforçou que, apesar dos esforços da PRF, a redução dos acidentes depende diretamente da colaboração dos motoristas. “Fiscalização sozinha não resolve. É preciso consciência, respeito às leis de trânsito e responsabilidade de quem está atrás do volante”, concluiu.

Mayara Nayllanne

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