Herdeiro do fundador das Casas Bahia vira réu por exploração sexual
A Justiça de São Paulo aceitou parcialmente denúncia do Ministério Público e tornou Saul Klein, herdeiro de Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, réu por exploração sexual de mulheres. A decisão é da 2ª Vara Criminal de Barueri. Com informações do Uol.
A denúncia foi aceita em relação a quatro acusações: favorecimento à prostituição ou exploração sexual de vulnerável, favorecimento à prostituição com violência ou grave ameaça, aliciamento mediante ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, e organização criminosa. O processo corre em segredo de Justiça.
Na decisão, a Justiça apontou elementos que descrevem um “ambiente de exploração sexual contínua”, com participação reiterada de intermediárias, padronização de condutas e submissão psicológica das mulheres que frequentavam os imóveis ligados ao empresário.
Klein também havia sido denunciado por estupro por 14 mulheres, mas o próprio Ministério Público pediu o arquivamento dessas acusações e das suspeitas de exposição a contágio por doenças venéreas, por entender não haver segurança suficiente sobre atos sexuais não consentidos.
A defesa de Saul Klein, representada pelo advogado Alberto Toron, afirmou que a decisão afastou imputações de estupro, cárcere privado e redução à condição análoga à de escravo. O advogado disse que as acusações restantes serão enfrentadas no processo e que a defesa confia na rejeição integral ao final.
Klein sustenta que mantinha relações livres e consensuais dentro de uma dinâmica conhecida como “sugar daddy” e “sugar baby”. A Justiça afirmou que essa tese será analisada durante a instrução criminal, especialmente quanto à liberdade de consentimento, eventual fraude, autonomia das vítimas e possível exploração sexual.
As mulheres que iniciaram o processo relatam que, durante mais de uma década, Klein manteve uma rede de recrutamento com falsas promessas de carreira como modelo, que terminava em exploração sexual em suas propriedades. A ação penal também foi aceita contra outras pessoas que, segundo a acusação, integravam essa rede.




