Eu não confio. E você?
Por Luiz Santos, radialista e jornalista
No direito penal existe uma norma que diz: “Inocente até que se prove o contrário”. Porém, os últimos acontecimentos tem invertido este princípio jurídico, para: “culpado até que se prove o contrário”, principalmente se tratando de políticos.
Nesta terça (13), a Polícia Federal (PF), deflagrou mais uma fase da operação Overclean, que apura desvios de verbas públicas, no que tange as cotas parlamentares, desta vez tendo como alvo o deputado federal baiano Félix Mendonça Jr., um dos caciques do PDT no Brasil e presidente da legenda na Bahia.
A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em vários endereços ligados ao deputado, que teve seu aparelho celular apreendido e R$ 24 milhões em bens bloqueados pela Justiça ligados aos envolvidos. Ao ser questionado pela imprensa, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), foi categórico ao afirmar que confia em Mendonça Jr. e espera apuração por parte dos órgãos competentes.
Na verdade, todos esperamos que os fatos sejam apurados criteriosamente, que inocentes não sejam condenados e que tenham respeitados o direito a ampla defesa e ao contraditório, não podemos ser irresponsáveis em condenar antecipadamente, porém, também não somos advogados de defesa do acusado para levantarmos uma tese de inocência.
A acusação que pesa sobre o deputado é gravíssima, por isso, prefiro não confiar em ninguém além do Judiciário e da Polícia Federal. Penso que existem outras formas do governador Jerônimo Rodrigues defender seus aliados sem dizer que confia, pois quando faz esta afirmação, da a entender nas entrelinhas que desconfia dos órgãos competentes envolvidos na investigação.
Se for para confiar em políticos, prefiro ficar do lado oposto.




