Estudante de escola pública do interior da BA é aprovada em 7 universidades norte-americanas
O sonho de estudar fora do Brasil começou de forma despretensiosa para a estudante baiana Maria Clara Dutra, de 19 anos. Ao assistir a um vídeo sobre o processo de admissão em universidades americanas, ela descobriu uma possibilidade que até então parecia distante da realidade de sua cidade, no interior da Bahia. Anos depois, a curiosidade virou conquista.
Maria Clara embarca no próximo dia 31 de janeiro para os Estados Unidos, onde irá cursar Engenharia de Computação na Augustana University, localizada no estado da Dakota do Sul. A aprovação veio após um processo seletivo longo, criterioso e bastante diferente do modelo de vestibular brasileiro.
Formada pelo Colégio Estadual de Tempo Integral Adinália Pereira de Araújo, em Itarantim – região sudoeste baiana – a estudante concluiu o ensino médio em 2023 e, em 2025, foi aprovada em sete universidades norte-americanas.
Além das instituições estrangeiras, Maria Clara também garantiu vagas em universidades brasileiras de destaque, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a PUC-RS e a PUC-PR, todas para o curso de Engenharia Mecânica, além da PUC-MG, onde foi aprovada em Engenharia Aeronáutica.
Segundo a estudante, a preparação para ingressar em universidades no exterior começou ainda no ensino fundamental e exigiu pesquisa constante, apoio da família e da escola, além de dedicação diária aos estudos. “Era uma coisa que eu nunca tinha visto na minha cidade ou na região. Parecia algo muito distante para mim”, relembra.
A partir disso, Maria Clara passou a buscar informações, assistir a relatos de estudantes aprovados e acompanhar vídeos sobre experiências acadêmicas fora do país. Durante o processo, candidatou-se a diferentes cursos e foi aceita em áreas como Engenharia Aeroespacial, Engenharia Mecânica e Matemática, em universidades dos Estados Unidos. No entanto, optou pela Engenharia de Computação, área com a qual mais se identifica e que considera estratégica.
“É um país muito forte nessa área, com muitas oportunidades em grandes empresas e centros de tecnologia”, afirma.
Diferentemente do vestibular brasileiro, o processo seletivo norte-americano avalia diversos critérios. Além do histórico escolar a partir do 9º ano, Maria Clara realizou o Scholastic Assessment Test (SAT), principal exame de admissão nos EUA, provas de proficiência em inglês, enviou cartas de recomendação, listou atividades extracurriculares, prêmios, participação em olimpíadas e escreveu redações pessoais relatando sua trajetória e objetivos. Também foi necessário apresentar documentação financeira.
A preparação acadêmica começou cerca de quatro anos antes da candidatura, com foco em bom desempenho escolar e fortalecimento do currículo. Já o processo de aplicação levou aproximadamente um ano, dedicado às provas, redações e envio da documentação exigida.
Apesar das aprovações no Brasil, a estudante optou por não se matricular em universidades nacionais, já que o objetivo de estudar fora do país estava definido. Para comprovar fluência em inglês, ela realizou curso preparatório para o Test of English as a Foreign Language (TOEFL). Já para o Enem, segundo relata, não houve uma preparação específica.
A escolha pela Augustana University levou em consideração fatores como o curso oferecido, o fato de o estado ser considerado tranquilo e a afinidade com os valores da instituição. “A Augustana é uma faculdade cristã, e isso foi importante para mim, porque sou católica”, explica.
Outro ponto decisivo foi a bolsa de estudos, que cobre integralmente a anuidade do curso. As despesas com moradia, alimentação e materiais acadêmicos ficarão sob responsabilidade da família. “Também recebi bolsas da Stetson University, na Flórida, e da Loyola University, na Louisiana, mas optei pela instituição da Dakota do Sul”, conclui.




