Feira de Santana

Denúncias de falta de remédios controlados em CAPS contrastam com discurso oficial no Janeiro Branco em Feira de Santana

Dezenas de denúncias chegaram à redação do Conectado News nas últimas semanas relatando a falta de medicamentos controlados nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de Feira de Santana. As queixas partem de pacientes e familiares que dependem desses remédios para o tratamento contínuo de transtornos mentais como depressão, ansiedade, esquizofrenia e transtorno bipolar.

Os relatos se intensificam justamente no mês em que o município promove a campanha Janeiro Branco, voltada à conscientização sobre a importância da saúde mental. Em material institucional divulgado recentemente, a Prefeitura de Feira de Santana afirma reforçar a atenção integral à saúde mental por meio de uma rede estruturada, composta por cinco CAPS, oito residências terapêuticas e um ambulatório de saúde mental, responsáveis pelo acompanhamento de cerca de 45 mil pessoas.

No entanto, a realidade enfrentada por usuários do sistema público parece destoar do discurso oficial. Segundo os denunciantes, medicamentos essenciais têm faltado com frequência, obrigando pacientes a interromper tratamentos ou a buscar alternativas na rede privada, o que nem sempre é possível devido ao alto custo dos remédios controlados.

“Meu familiar faz acompanhamento no CAPS e, há semanas, não consegue receber a medicação completa. O médico prescreve, mas a farmácia não tem. Como falar em cuidado integral dessa forma?”, questiona uma familiar de paciente, que preferiu não se identificar.

A campanha Janeiro Branco tem como proposta chamar a atenção da população para a importância do cuidado com a saúde mental e incentivar a busca por ajuda profissional. O coordenador de Saúde Mental do município, Joadson Andrade, destacou que a assistência às pessoas em sofrimento psíquico é uma política permanente da gestão municipal, afirmando que os serviços funcionam durante todo o ano e que a rede está preparada para acolher casos agudos, inclusive nas unidades de urgência e emergência.

Ainda segundo a Secretaria Municipal de Saúde, cerca de 12 mil pessoas estão atualmente em acompanhamento na rede especializada, além de ações educativas desenvolvidas na Atenção Primária à Saúde com foco no bem-estar e na qualidade de vida.

Apesar disso, especialistas e usuários alertam que o acesso regular à medicação é parte fundamental do tratamento em saúde mental, e que a descontinuidade pode agravar quadros clínicos, aumentar crises e sobrecarregar ainda mais os serviços de urgência.

As denúncias levantam um questionamento central: como garantir atenção integral e humanizada sem assegurar o básico, como o fornecimento contínuo de medicamentos? Para pacientes e familiares, a campanha de conscientização perde força quando não é acompanhada por soluções práticas e efetivas no dia a dia dos serviços.

O Conectado News segue acompanhando as reclamações e aguarda um posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde sobre a regularização do abastecimento de medicamentos controlados nos CAPS do município.

Mayara Nayllanne

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