Defesa de Oyama Figueiredo nega ilegalidades e critica tratamento desigual em investigação
A defesa do empresário e ex-vereador Oyama Figueiredo, de seu filho e de suas duas filhas, Luanda Cajado de Figueiredo Carvalho e Lívia Cajado de Figueiredo Cosmo, realizou nesta terça-feira (2), uma coletiva de imprensa para comentar as investigações que levaram à prisão temporária dos quatro. O encontro contou com a participação dos advogados Marco Aurélio Andrade Gomes e Yuri Carneiro.
Durante a coletiva, os defensores afirmaram que não há, até o momento, qualquer indício de prática criminosa por parte dos investigados. Marco Aurélio destacou que nenhuma irregularidade foi encontrada nas residências da família durante as buscas realizadas pela Força-Tarefa. Segundo ele, inclusive, chegou a circular a informação de que Oyama teria armas em casa, o que não se confirmou.
“Até então, não existe nenhum documento ou prova que caracterize ilicitude. Estamos aguardando a análise do material apreendido, mas não há nada que indique crime”, afirmou o advogado.

Sobre a possibilidade de conversão da prisão temporária em preventiva, que vence nesta sexta-feira (6), a defesa se disse confiante de que isso não ocorrerá. Marco Aurélio, contudo, afirmou que observa “tratamento desigual” entre investigados em supostas situações equivalentes.
“Respeitamos as autoridades policiais, o Ministério Público e o Poder Judiciário, mas não podemos deixar de registrar nosso descontentamento diante de medidas diferentes aplicadas a pessoas em pé de igualdade. Alguns receberam cautelares, enquanto outros foram presos. No nosso sentir, não há elementos concretos que justifiquem essa discrepância”, declarou.
Questionado sobre a razão para a convocação da coletiva, Marco Aurélio afirmou que o objetivo foi responder ao grande volume de notícias veiculadas recentemente e oferecer esclarecimentos à sociedade. “Foi um desejo do próprio Oyama. Ele tem uma história de vida pública, já foi vereador e presidente da Câmara. Achamos importante apresentar nossa posição”, disse.
O advogado Yuri Carneiro destacou que, ao analisar os autos do inquérito e as degravações telefônicas disponibilizadas até o momento, não identificou qualquer elemento de criminalidade. “São conversas estritamente empresariais e operações comerciais regulares. Não há crime algum”, disse.
Segundo ele, as filhas de Oyama exercem atividades empresariais formais e definidas dentro do grupo familiar, e a defesa está “tranquila de que tudo será esclarecido”.
Busca e apreensão ocorreu sem resistência
A defesa ressaltou que a família colaborou integralmente com as autoridades durante as buscas. “Não houve qualquer resistência. A polícia teve acesso pleno às residências, e os próprios familiares auxiliaram na indicação de locais e documentos”, afirmou Yuri Carneiro. Para ele, medidas cautelares alternativas à prisão seriam suficientes, já que os investigados não representam risco de fuga ou de interferência na investigação.
Os advogados também estranharam que parte dos fatos investigados remonta aos anos de 2013 e 2015. “Fatos tão antigos não justificam, em regra, prisão temporária ou preventiva em 2025. Isso nos causa surpresa”, disse Carneiro.
Indagada sobre a possível ligação entre o caso e investigações envolvendo cartórios de Feira de Santana, a defesa confirmou que há documentos da Corregedoria do Tribunal de Justiça anexados aos autos. No entanto, os advogados afirmaram que não há relação direta entre o núcleo empresarial da família e eventuais problemas cartorários.
“Os fatos não dialogam entre si. Causa estranheza que delegatários de cartório citados em documentos não tenham tido prisão decretada, enquanto outros investigados foram presos”, disse Marco Aurélio, reforçando a tese de tratamento desigual.
Por fim, a defesa afirmou que ainda é cedo para identificar exatamente qual fato deu origem à investigação, mas reconheceu que a autoridade policial cumpriu seu papel ao instaurar o inquérito. Os advogados disseram confiar que, ao final da apuração, ficará comprovado que Oyama e seus familiares não cometeram qualquer irregularidade.
Com informações: Edvaldo Paixoto
Por: Mayara Nailanne




