Feira de Santana

Chuvas derrubam árvores em Feira de Santana e expõem déficit de arborização urbana

Foto: Luiz Santos

As chuvas registradas na madrugada desta segunda-feira (20) em Feira de Santana provocaram a queda de árvores em diferentes pontos da cidade, especialmente na Avenida Getúlio Vargas e na região dos bairros Irmã Dulce e Brasília. Situações como essa, segundo a Secretaria Municipal de Serviços Públicos, tendem a se repetir em períodos de ventos fortes e solo encharcado, revelando fragilidades na arborização urbana.

Em entrevista ao Conectado News, o diretor de Áreas Verdes da pasta, João Dias, explicou que o município mantém monitoramento contínuo das árvores, mas ainda enfrenta limitações técnicas e estruturais. De acordo com ele, um inventário botânico realizado em 2018 identificou cerca de 65 mil árvores, número que não abrangeu toda a cidade. Atualmente, a estimativa utilizada pela secretaria é de aproximadamente 100 mil árvores em áreas públicas.

“O acompanhamento é feito diariamente pelas equipes técnicas, observando troncos, galhos e sinais de fragilidade. Ainda não dispomos de equipamentos como tomógrafo e penetrógrafo, que permitem analisar o interior da árvore com mais precisão, mas estamos em processo de aquisição”, afirmou.

Segundo João Falcão, ações preventivas têm sido intensificadas desde 2020, com foco na poda e redução de copas para minimizar os impactos do vento. Ele também destacou problemas recorrentes, como a infestação da chamada “erva-de-passarinho”, uma planta parasita que compromete a saúde das árvores, além de casos de envenenamento.

“Tudo isso enfraquece a estrutura e aumenta o risco de queda. Temos atuado para reduzir esses impactos, mas ainda não atingimos o ideal”, disse.

A idade das árvores no município varia bastante. Algumas espécies mais antigas, como figueiras e gameleiras plantadas em bairros tradicionais, podem ter entre 50 e 70 anos, enquanto outras foram inseridas mais recentemente no processo de urbanização.

Apesar dos esforços, o déficit de arborização ainda é significativo. A recomendação de organismos internacionais é de pelo menos três árvores por habitante. Considerando uma população estimada em cerca de 700 mil pessoas, Feira de Santana precisaria de mais de 2 milhões de árvores. O número atual, mesmo incluindo áreas privadas, está bem abaixo desse patamar.

Para tentar reduzir essa defasagem, a secretaria prepara uma campanha de plantio para o outono e inverno, com a meta de introduzir entre 1.000 e 1.200 novas mudas. A iniciativa também busca envolver a população na preservação.

“Precisamos que a comunidade participe, adote essas árvores e ajude a cuidar. Já tivemos casos de mudas arrancadas, quebradas e até roubadas. A conscientização é fundamental”, ressaltou.

O diretor também alertou que qualquer intervenção em árvores, inclusive em áreas particulares, depende de autorização prévia dos órgãos ambientais.

“Ninguém pode podar ou remover uma árvore sem autorização. Cada caso precisa ser avaliado tecnicamente, pois há espécies com raízes agressivas que podem afetar calçadas e estruturas. O correto é procurar a Secretaria de Meio Ambiente para orientação”, explicou.

Atualmente, o serviço de manutenção enfrenta alta demanda. São registradas entre 20 e 30 solicitações diárias para poda, enquanto apenas três equipes atendem a cidade. Além disso, o trabalho exige cumprimento de normas técnicas e legislação ambiental.

“As árvores hoje vivem em um bioma urbano, convivendo com redes elétricas, edificações e trânsito. Nosso desafio é equilibrar essa convivência de forma segura para todos”, concluiu João Dias.

Mayara Nayllanne

About Author

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may also like

Foto: DIvulgação
Feira de Santana

Professor da Estadual é investigado por suspeita de assédio sexual contra aluna de 14 anos

Um professor lotado na seção que atende crianças e adolescentes neurodivergentes ou com necessidades especiais da Colégio Estadual Georgina de
Feira de Santana

“Não há elementos que justifiquem a manutenção do flagrante”, diz presidente do sindicato da PRF, sobre soltura de inspetora acusada de injúria racial

Crédito da Imagem: Onildo Rodrigues Por Hely Beltrão A inspetora da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Michele Alencar, 44 anos, presa em