Feira de Santana Saúde

O descaso do Estado brasileiro com às mães atípicas de Feira de Santana

Alexsandro Santos Ribeiro

Por Hely Beltrão

Por diversas vezes, cobrimos a luta das mães de autistas que possuem plano Unimed em Feira de Santana para garantir o atendimento a seus filhos, muitas vezes negado, ignorando o vínculo terapêutico. Foi uma luta árdua dessas mulheres entre elas, Jackeline Silva Lopes, que estava a frente desse coletivo de mães.

Hoje, Jaqueline nos procurou para relatar a situação vivida por uma mãe que tem depressão e Fibromialgia e seu filho de 20 anos de idade com TEA (Transtorno do Espectro Autista) grau 2, Esquizofrenia e depressão e a luta para conseguir atendimento por parte do Estado brasileiro, após ele apresentar um quadro de crise que o deixou agressivo, fazendo com que atacasse a própria mãe, nesta terça (9).

Após ter sua cabeça golpeada várias vezes, ela conseguiu escapar do filho, trancando-o dentro de casa. Do lado de fora, ela ligou para o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), no qual esperou por mais de 3 horas para ser atendida. Houve também uma ligação para a Polícia Militar, que só deu retorno 40 minutos após o SAMU chegar. Detalhe: eles não moram na zona rural, mas sim na sede, no bairro Conceição.

O rapaz foi levado pelo SAMU para o Hospital Especializado Lopes Rodrigues (HELR) e a mãe socorrida por Jaqueline em seu veículo particular para o Hospital Geral Cleriston Andrade (HGCA). Jaqueline nos relatou que entrou em contato com o Serviço Social do HELR pedindo que ele fosse mantido lá pelo menos ate que a mãe tivesse alta.

Segundo Jackeline, elas chegaram ao HGCA por volta das 13h e deram apenas um paracetamol para a mãe, o que não surte nenhum efeito para uma pessoa que tem fibromialgia e recebeu diversos golpes na cabeça. Até às 16:30h desta terça, ela ainda não tinha passado por exames, estava sem comer nada, nem mesmo o café da manhã.

Para acabar de completar, mesmo após apelos para que mantivesse o rapaz internado até que a mãe possa se recuperar, segundo Jackeline, funcionários do HELR teriam pressionado que o tio do rapaz o tirasse da internação, alegando que, por conta do TEA, o local não seria adequado para ele por conta do barulho e que não teria como seda-lo, o que sabemos não ser verdade. O rapaz foi liberado, está na casa do tio, onde há duas pessoas idosas, uma com problemas de locomoção e a outra com cardiopatia. A pergunta que fica é: o que acontecerá a esses idosos se o rapaz novamente tiver uma crise?

Já publicamos matérias relacionadas a falta de atendimento pelo Planserv (Sistema de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos Estaduais), do qual este jovem com TEA e demais transtornos mentais, também é vítima, pois, apesar de ser um segurado, não tem atendimento, pois o plano não cobre emergência psiquiátrica no município.

Cobramos uma resposta da SESAB (Secretaria Estadual de Saúde) e a possibilidade do jovem ser recolhido novamente ao HELR até que a mãe, que é a única rede de apoio deste, possa estar recuperada para poder cuidar dele.

Hely Beltrão

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7 Comments

  1. Jackeline

    9 de dezembro de 2025

    Muito obrigada por sempre segurar nossa mão em socorro Hely.

  2. Edna Marques

    9 de dezembro de 2025

    Gente, até quando essa mãe terá que esperar por uma providência para seu filho? Cadê o Estado? E os gestores deste município? Onde estão nossos vereadores?

  3. Ane

    9 de dezembro de 2025

    Um verdadeiro descaso com a vida dessa mãe e de muitas que passam por isso! Triste realidade

  4. Ane

    9 de dezembro de 2025

    Um verdadeiro descaso com a vida dessa mãe e de muitas que passam por isso! Triste realidade

  5. REjane Correia

    9 de dezembro de 2025

    Lamentável o descaso do serviço público.

  6. Elizabeth Silva E Silva

    9 de dezembro de 2025

    Absurdo seguido de absurdos, o sistema de atenção a pessoas neurodivergentes e fibromiálgicos é inexistente em Feira de Santana, são pessoas invisíveis, nada evoluiu, são diagnósticos “muito novos” para a cidade e o sistema de saúde, tanto o privado quanto o público atenderem com o mínimo de dignidade, mesmo com tantas leis e movimentos sociais que mostrem a realidade dessas pessoas. O incrível é que se fosse um achegado de algum político a gente sabe que até UTI se providencia… Muito medo do que ainda está por vir, pois nada nos faz esperar dias melhores…

  7. Elidian

    9 de dezembro de 2025

    Quando o poder público fará alguma coisa? Quando essa mãe morrer?

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