Feira de Santana
Foto: Onildo Rodrigeus

Na manhã desta segunda-feira (02), professores realizaram uma manifestação em frente à Secretaria Municipal de Educação de Feira de Santana para contestar o resultado preliminar do processo seletivo simplificado em Regime Especial de Direito Administrativo (REDA). Os candidatos apontam supostas irregularidades na análise curricular e cobram mais transparência da comissão responsável.

Foto: Onildo Rodrigues

De acordo com o professor Lucas Machado Lima, um dos participantes do ato, diversos candidatos que, segundo o barema do edital, teriam alta pontuação, sequer aparecem na lista de habilitados.

“Tem colega que somaria 62 pontos, considerando mestrado, pós-graduações e tempo de experiência, mas o nome não consta na lista. Enquanto isso, há pessoas com dois ou quatro pontos que aparecem como habilitadas. Queremos entender o porquê”, afirmou.

Lucas também relatou que houve mudança no formulário de inscrição durante o processo. Segundo ele, um primeiro modelo não exigia determinados documentos, como a ficha 19 (conclusão do ensino médio) nem fazia distinção sobre cotas. Já o segundo formulário passou a exigir esses itens. “Queremos esclarecimentos sobre essa alteração e sobre como foi feita a análise”, completou.

Leia também: Candidatos denunciam falta de transparência após resultado preliminar do REDA em Feira de Santana

Prefeitura de Feira divulga resultado preliminar do Processo Seletivo REDA para professores

Outro ponto levantado pelos manifestantes é a ausência de justificativa individual para candidatos que não foram habilitados. “Não recebemos nenhuma explicação sobre eventual documento não aceito ou pendência. Isso fere os princípios da transparência e da impessoalidade”, destacou Lucas.

Os professores também questionam a falta de divulgação das notas detalhadas. Segundo eles, não é possível conferir oficialmente a pontuação obtida, apenas fazer estimativas com base no barema.

A professora Eloísa Cavalcante também participou da mobilização. Ela afirma que atende a todos os requisitos exigidos no edital, mas não teve o nome incluído na lista preliminar.

“Tenho graduação, pós-graduação, experiência na área e certificados. Sou servidora pública em contrato REDA, que termina em julho. Fiz essa seleção para dar continuidade até o resultado do concurso da Prefeitura, cuja prova acontece no próximo domingo. Não entendi por que meu nome não está na lista”, declarou.

Eloísa informou que entrou com recurso, mas demonstra preocupação com o desfecho. “A gente fica emocionalmente abalado. São mais de mil professores se preparando para o concurso e receber uma notícia dessas desestabiliza”, afirmou.

Ela também comentou as comparações entre candidatos. “Não é desmerecendo ninguém, mas é desrespeitoso quando alguém com mais experiência e qualificação fica de fora, enquanto outros, com menos tempo de atuação, aparecem como habilitados”, pontuou.

Secretaria diz que processo segue a legalidade

Foto: Onildo Rodrigues

Nossa equipe também ouviu o vice-prefeito e secretário municipal de Educação, Pablo Roberto. Ele afirmou estar tranquilo em relação ao processo e classificou o movimento como busca por informações.

“O REDA foi feito com base na legislação específica para análise curricular. A comissão foi constituída e todas as providências necessárias quanto à transparência e legalidade estão sendo adotadas”, declarou.

Segundo o secretário, apenas os candidatos habilitados e classificados tiveram seus nomes divulgados. Aqueles que foram desclassificados por não atenderem a requisitos do edital como ausência de documentos ou comprovação de autenticidade não tiveram pontuação publicada.

“Muitas pessoas alegam ter nota maior, mas foram desclassificadas por não anexar documentação exigida ou por apresentar documentos sem comprovação de autenticidade. Ainda assim, quem se sentir prejudicado deve entrar com recurso para que a comissão analise caso a caso”, explicou.

Pablo Roberto informou que o prazo para recursos segue aberto ao longo do dia e que a comissão terá três dias para analisar as solicitações. O resultado final deve ser divulgado no próximo dia 6 de março. Caso algum recurso seja considerado procedente, o nome do candidato será incluído na homologação.

Ele ressaltou ainda que o processo é emergencial, devido ao início do ano letivo, e que a expectativa é que os aprovados no concurso público — cuja prova acontece no próximo domingo — sejam convocados até junho.

“Tudo o que estava ao nosso alcance em termos de transparência foi feito. Agora é preciso que os candidatos também apresentem seus recursos formalmente para que possamos avaliar”, concluiu.

Enquanto aguardam a análise dos recursos, os manifestantes afirmam que continuarão mobilizados e que já iniciaram denúncia junto ao Ministério Público, caso não haja revisão considerada satisfatória do resultado preliminar.

Mayara Nayllanne

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