Cultura Feira de Santana

Zé das Congas une música, educação e sustentabilidade em Feira de Santana

Um projeto que nasceu da dificuldade e virou referência cultural e social vem ganhando novos capítulos em Feira de Santana. Idealizada por José Pereira dos Santos, o “Zé das Congas”, a iniciativa alia música, educação e consciência ambiental ao transformar materiais recicláveis em instrumentos musicais — promovendo inclusão e abrindo caminhos para crianças e adolescentes. Agora, o trabalho avança com conquistas importantes, como a certificação como ponto de cultura, a retomada das aulas semanais e o lançamento de uma nova música.

Conhecido pelo talento e pela criatividade, Zé das Congas já construiu mais de 300 instrumentos com as próprias mãos. Muitos deles surgiram a partir de objetos simples, como latas, tampinhas de garrafa e cabaças, que ganham nova vida por meio da percussão. Mais do que músico, ele se tornou educador e referência comunitária ao ensinar jovens a acreditarem no próprio potencial.

Em entrevista, ele relembrou como tudo começou. “Eu sou marceneiro e foi dentro da oficina, no som das ferramentas e das latas, que comecei a perceber o ritmo. As pessoas diziam que eu tinha dom, e eu resolvi acreditar”, contou.

A falta de recursos foi, paradoxalmente, o ponto de partida para a criação. Sem dinheiro para comprar instrumentos, Zé passou a fabricar os seus próprios. O que era necessidade virou oportunidade: hoje, além de ensinar, ele também comercializa instrumentos, abastecendo lojas locais e até clientes fora do país.

Nas oficinas, a proposta vai além da música. Os alunos aprendem a construir instrumentos com նյութos recicláveis e desenvolvem noções de sustentabilidade. Um dos exemplos é o uso de tampinhas de garrafa para simular sons de palmas em apresentações. “Qualquer pessoa pode transformar o simples em algo grandioso”, afirma.

O trabalho também envolve a comunidade. Muitos instrumentos são produzidos coletivamente, como o xequerê, cuja confecção costuma contar com a participação das meninas, destacadas por ele pela sensibilidade no processo artesanal. Para Zé, esse espírito colaborativo é essencial: “Nada se constrói sozinho. O segredo do sucesso é a humildade”.

Com forte influência da cultura africana, refletida inclusive nas vestimentas e nos ritmos, o projeto reforça a identidade cultural e valoriza as raízes. Ao mesmo tempo, rompe fronteiras: Zé já realizou viagens internacionais e se prepara para novos intercâmbios culturais.

Apesar do reconhecimento, ele mantém os pés fincados na comunidade onde nasceu e cresceu, no bairro Rua Nova, em Feira de Santana. E faz questão de destacar a importância do apoio público e coletivo para a continuidade da iniciativa. “Esse trabalho precisa ser abraçado pela sociedade. Ele não é para acabar, é para continuar”, defende.

Com milhares de seguidores nas redes sociais e uma trajetória marcada por superação e criatividade, Zé das Congas segue transformando vidas — provando que, com ritmo, consciência e oportunidade, é possível construir um futuro melhor.

Mayara Nayllanne

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