Vereadores feirenses discutem prisão de Bolsonaro
Durante a manhã desta terça-feira (25), vereadores da Câmara Municipal comentaram publicamente a prisão do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, ocorrida após a violação de sua tornozeleira eletrônica, conforme apontado pela Polícia Federal. As opiniões se dividiram entre acusações de ilegalidade no processo e a defesa de que o ex-chefe do Executivo descumpriu regras impostas pela Justiça.
Vereador Ismael Bastos (PL): “Prisão é injusta e processo é viciado”

O vereador Ismael Bastos classificou a prisão como “injusta” e afirmou que todo o processo estaria “viciado” desde a origem.
Segundo ele, as investigações que envolvem Bolsonaro não deveriam ter começado no Supremo Tribunal Federal (STF), já que, em sua avaliação, nem o ex-presidente nem os demais investigados possuíam foro privilegiado.
“Esse processo deveria ter sido julgado na primeira instância e com direito a todos os recursos. Alexandre de Moraes é vítima, promotor, investigador e julgador. É mais um ato ilegal”, declarou.
Ismael também argumentou que o episódio da violação da tornozeleira deve ser analisado considerando o estado de saúde de Bolsonaro. Ele citou o boletim médico divulgado pela equipe do ex-presidente, que mencionaria um “surto psicótico”.
“Bolsonaro tem 71 anos, faz uso de vários medicamentos e já passou por longas cirurgias. Ele mesmo disse que teve um surto. A Polícia Federal entrou imediatamente na casa e constatou que não havia nenhum plano de fuga”, afirmou o vereador.
Vereador Ivanberg (PT): “Houve violação clara do dispositivo”

Em contraponto, o vereador Ivanberg, do PT, defendeu que a prisão decorre de quebra explícita das regras da medida restritiva que Bolsonaro cumpria.
Segundo ele, o ex-presidente já se encontrava sob prisão domiciliar e teria danificado voluntariamente o equipamento.
“Bolsonaro violou um dispositivo da Polícia Federal. Ele usou um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira, alegando que ouvia vozes. A PF detectou o dano imediatamente”, disse o petista.
Ivanberg também afirmou que havia suspeita de que o ex-presidente tentaria ir ao consulado dos Estados Unidos após se livrar do monitoramento eletrônico.
O vereador rebateu o argumento sobre o estado debilitado do ex-presidente:
“Se estivesse tão fraco, não teria força para pegar o ferro de solda. A tornozeleira estava danificada em toda a circunferência. Ele mesmo admitiu que tentou abrir.”
O vereador ressaltou que não cabe a ele avaliar a condição psicológica de Bolsonaro:
“Não sou psiquiatra para emitir laudo. Sou dentista. Mas o fato é que houve violação, e isso determina a prisão.”
Em meio às trocas de argumentos, Ivanberg reforçou que, mesmo que o ato tenha ocorrido em momento de desespero, isso não descaracteriza a infração:
“Pode ter sido um ato desesperado, mas infringiu a lei da mesma forma.”
Já Ismael Bastos voltou a sustentar que a discussão deveria considerar a legalidade do processo desde sua origem.




