São João, mercado do forró e a luta por mais espaço para artistas baianos
Jairo Barboza, conhecido artisticamente como “O Forrozeiro Prime”, é cantor, compositor e produtor musical baiano, natural de Mundo Novo. Com uma voz grave e marcante, o artista se destaca na cena musical nordestina ao transitar entre o forró tradicional, o forró de vaquejada e influências do sertanejo contemporâneo, construindo uma identidade sonora própria.
Além da atuação nos palcos, Jairo também se dedica à produção cultural, trabalhando como curador de festivais de forró na Bahia, contribuindo diretamente para o fortalecimento e a valorização do gênero no estado. Sua trajetória é marcada pela defesa da cultura nordestina e pelo incentivo à presença de artistas baianos nos grandes eventos populares.
Além da expectativa para o Carnaval, Jairo Barboza já projeta o São João, período que tradicionalmente marca o auge de sua agenda artística. O cantor revelou que o calendário junino está praticamente fechado, com apresentações confirmadas em cidades como Anguera, Mundo Novo, Miguel Calmon, Piritiba, Alagoinhas, entre outros municípios do interior baiano.
No entanto, ao falar sobre o São João, o artista ampliou a conversa para um tema que tem mobilizado músicos, produtores e gestores públicos em toda a Bahia: os critérios de contratação de artistas e a valorização dos forrozeiros baianos nas festas juninas financiadas com recursos públicos.
Jairo comentou a recente reunião realizada entre representantes do forró e a União dos Municípios da Bahia (UPB), que resultou na construção de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O acordo propõe que 50% dos recursos públicos destinados aos festejos juninos sejam investidos na contratação de forrozeiros e artistas baianos, como forma de fortalecer a cultura local e garantir maior equidade nas programações.
“Essa luta não é de hoje. A questão não é apenas o valor dos cachês, mas a falta de espaço para os artistas da Bahia. Existem cidades que chegam a contratar 80% de artistas de fora, o que enfraquece a nossa cultura”, afirma o cantor.
Segundo Jairo, o acordo também prevê a formação de uma comissão composta por cinco artistas, que ficará responsável por acompanhar e fiscalizar a aplicação do TAC junto à UPB, garantindo que o compromisso firmado seja cumprido.
Para o cantor, a discussão vai além do forró e atinge outros gêneros tradicionais da música baiana, como o axé, que também enfrenta dificuldades de renovação e visibilidade.
“O forró e o axé já foram muito fortes na Bahia. Hoje vemos poucos nomes com grande projeção. Se os artistas não se unirem, a cultura de fora acaba ocupando um espaço que deveria ser nosso”, pontua.
Ao encerrar a entrevista, Jairo Barboza reforçou seu compromisso com a música, com os colegas de profissão e com o público, destacando o papel fundamental dos meios de comunicação na valorização dos artistas locais.
“Juntos somos mais fortes. A cultura baiana precisa ser defendida por quem faz e por quem divulga”, conclui.




