Quem tiver culpa no cartório que pague
Por Luiz Santos, radialista e jornalista
A velha frase “quem tiver culpa no cartório que pague” nunca esteve tão atual quanto nesta quarta-feira, 26, em Feira de Santana. Empresários, policiais e advogados que costumam posar na alta sociedade feirense como o suprassumo da moralidade, acordaram com o toc-toc da polícia batendo às portas de seus condomínios e prédios de alto padrão, munida de mandados de busca, apreensão e prisão expedidos pela Justiça.
A acusação de grilagem de terras praticada por um dos investigados é antiga, atravessa décadas. Sempre se ouviu falar em rodas de conversas, que prédios, loteamentos e condomínios, de relatos de áreas invadidas que acabaram virando empreendimentos de luxo. Porém, as provas eram praticamente impossíveis de ser reunidas, muito, dizem, por causa do medo de muita gente quando se falava sobre o assunto.
Mas, é como diz outro ditado: “a Justiça tarda, mas não falha”. E algumas das pessoas do grupo, segundo a Justiça, suspeito de cometer fraudes documentais, grilagem de terras e lavagem de capitais se consideravam intocáveis, inalcançáveis pelo sistema judiciário baiano.
Acontece que a Justiça deste Estado – embora seja considerada por alguns como ‘ineficiente’ – vem mudando nos últimos anos. Para se ter uma ideia, há exatamente um ano, em novembro de 2024, um desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia passou alguns dias no Fórum Desembargador Felinto Bastos, em Feira de Santana.
O papel do desembargador foi investigar processos existentes naquele Fórum, especialmente os que tratavam sobre grilagem de terras. Ao final, salvo melhor juízo, foram identificadas falcatruas em cartórios de imóveis na Princesa do Sertão, resultando, inclusive, em afastamento de escriturários.
Com a continuidade das investigações, aqueles que realmente tinham “culpa no cartório”, segundo a Justiça, começaram a ser presos na manhã da quarta (26). E mais, tiveram bens apreendidos. Agora, mais do que nunca, a população espera que os culpados respondam pelos crimes apontados e paguem pelos erros que a Justiça parece ter alcançado. O mais, só o tempo dirá.




