
A Polícia Federal, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público da Bahia (GAECO/MPBA), deflagrou, nesta quarta-feira (17/6), a Operação Conexão Perigosa, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa com atuação estruturada na região do Extremo Sul da Bahia.
As investigações apontam que o grupo exercia domínio social sobre comunidades locais por meio de violência, grave ameaça e coação, intimidando moradores e autoridades, além de promover ataques a serviços e infraestruturas essenciais. Também foi identificado um esquema de ocultação e dissimulação de recursos provenientes do tráfico de drogas e de outras atividades ilícitas, com movimentação de dezenas de milhões de reais por meio de empresas de fachada, interpostas pessoas e operações financeiras fragmentadas.

No âmbito da operação, foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão no município de Porto Seguro/BA. Por determinação do Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca de Porto Seguro, houve ainda o bloqueio de R$ 97,7 milhões em ativos financeiros dos investigados e a suspensão das atividades econômicas de seis empresas.
As apurações revelaram que o líder da organização mantinha contatos frequentes com pelo menos três agentes políticos do município. Segundo as investigações, o grupo criminoso atua há aproximadamente dez anos na região.
O esquema de lavagem de capitais identificado seguia as três etapas clássicas desse tipo de crime. Na fase de colocação, os recursos eram inseridos no sistema financeiro por meio de depósitos fracionados em espécie, com o objetivo de evitar mecanismos de controle e alerta. Na etapa de ocultação, eram realizadas transferências entre contas de terceiros para dificultar o rastreamento dos valores. Já na fase de integração, os recursos retornavam ao mercado formal por meio de empresas de fachada, conferindo aparência de legalidade ao patrimônio obtido de forma ilícita.
As investigações prosseguem para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar a apuração dos fatos.
Os investigados poderão responder por crimes relacionados à organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, cujas penas somadas podem ultrapassar 50 anos de reclusão, em caso de condenação.