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EUA querem novas taxas de 12,5% contra o Brasil por “trabalho forçado”; entenda

A medida foi proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) após investigação sobre importação de produtos.

Por: Redação Fonte: DCN Notícias
03/06/2026 às 10h52
EUA querem novas taxas de 12,5% contra o Brasil por “trabalho forçado”; entenda
Foto: Reprodução

O governo de Donald Trump anunciou uma nova rodada de sobretaxas contra parceiros comerciais dos Estados Unidos e incluiu o Brasil entre os países sujeitos a uma tarifa adicional de 12,5%. A medida foi proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) após investigação sobre importação de produtos supostamente fabricados com trabalho forçado.

A decisão foi divulgada um dia depois de o mesmo órgão recomendar tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras em outra investigação comercial. As duas apurações foram conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento usado por Washington para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio estadunidense. Ainda não está claro se as duas taxas poderão ser somadas.

Segundo o relatório, 60 países falharam em proibir e fiscalizar a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O USTR classificou essa conduta como “irracional” e afirmou que ela restringe o comércio dos Estados Unidos ao criar concorrência desleal para empresas e trabalhadores estadunidenses.

O governo Trump propôs dois níveis de sobretaxação, de acordo com informações do g1. A tarifa de 10% seria aplicada a economias que já possuem alguma proibição parcial ou que assumiram compromissos formais por meio de acordos comerciais, como União Europeia, México, Canadá, Indonésia, Paquistão e Equador.

A alíquota de 12,5% ficaria para países considerados sem regimes eficazes de controle. Nesse grupo estão Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina, Arábia Saudita e outras economias investigadas.

“A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável”, afirmou o embaixador Jamieson Greer. “Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais”.

Em outro comunicado, Greer reforçou a crítica. “O fracasso de nossos mais importantes parceiros comerciais em enfrentar a importação de produtos feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma dinâmica em que os trabalhadores americanos são obrigados a competir globalmente em condições desiguais”, afirmou. “Não toleraremos mais essa disparidade”.

No caso brasileiro, a investigação concluiu que o país falhou em impor e fiscalizar uma proibição efetiva contra a importação de bens produzidos com trabalho forçado. O relatório cita que o Brasil mantém compromissos contra o trabalho escravo em acordos de livre comércio e investimentos, mas afirma que ainda falta uma barreira legal capaz de impedir a entrada dessas mercadorias no mercado interno.

O documento menciona a existência da “Lista Suja” do trabalho escravo no Brasil, mas destaca que o foco da investigação é a importação de produtos feitos nessas condições em outras economias. Também há estudos de caso sobre arroz em Mianmar, tabaco no Maláui e exportações destinadas a países europeus.

As tarifas não entram em vigor imediatamente. O USTR abriu período de consulta pública, com prazo para comentários por escrito até 6 de julho de 2026. As audiências públicas estão previstas para 7 de julho. A medida faz parte da tentativa de Trump de reconstruir a barreira tarifária derrubada pela Suprema Corte dos Estados Unidos.

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