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Feira de Santana Autismo

No dia mundial de conscientização do autismo, pais e psicólogos afirmam que o preconceito ainda é o maior problema

Em Feira de Santana foram realizadas diversas ações em alusão ao tema

02/04/2025 15h14 Atualizada há 21 horas
Por: Hely Beltrão Fonte: Conectado News
Luiz Santos
Luiz Santos

Por Onildo Rodrigues, Luiz Santos e Hely Beltrão

No dia 2 de abril, comemora-se o dia mundial de conscientização sobre o autismo, data necessária, uma vez que ainda existe muito preconceito a respeito do tema, de acordo com relato de pais e psicólogos entrevistados pelo Conectado News nesta quarta (2), nos diversos locais onde foram realizadas ações em alusão ao tema em Feira de Santana.

No CER-TEA, (Centro de Referência Municipal para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista) Dr. Ildes Ferreira de Oliveira, localizado na rua Itacarambi, no bairro Muchila, onde é disponibilizado atendimento com psicólogo, psicopedagogia, nutricionista, assistência social, educação física e psicomotricidade, iniciou a partir de hoje, uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), passando a contar com atendimento médico e odontológico. A secretária de Desenvolvimento Social, Gerusa Sampaio, deu maiores detalhes.

Secretária de Desenvolvimento Social Gerusa Sampaio - Foto: Onildo Rodrigues

"Estamos atuando em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) neste dia 2 de abril, dia Mundial de Conscientização do Autismo, para que possamos ampliar o atendimento, o CER-TEA atende mães e crianças, mas precisava estender esse atendimento, o que está acontecendo hoje em parceria com a Secretaria de Saúde. Também é desejo do prefeito José Ronaldo (UB), que possamos zerar toda a demanda reprimida, temos 150 mães que escreveram seus filhos aguardando atendimento no CER-TEA, estou muito feliz não só como mãe, mas, como secretária, avó e mulher, pois somente os pais sabem das dificuldades dessa inclusão, Feira de Santana hoje dá um show de solidariedade e sensibilidade, com consultório odontológico, neuropediatra, psiquiatra, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, atividades com psicomotricistas, profissionais que trabalham com o desenvolvimento cognitivo dessas crianças, estou muito feliz de ofertar esse atendimento também às mães atípicas, para que possamos ter uma rede fortalecida de amparo a essas crianças".

Conscientização

"O autismo é transtorno que deve ser tratado através da ressocialização e estímulos, existem crianças e jovens com TEA que são artistas, realizar a inclusão nas escolas, também uma parceria com a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, para que possamos fazer a oficinas de onde possamos descobrir grandes talentos, estamos bem avançados e a sensibilidade da sociedade em incluir essas famílias".

Osana Caribé - Psicóloga

Osana Caribé - Psicóloga - Foto: Onildo Rodrigues

"Esse dia é importante para trazer a conscientização a fim de dar visibilidade, porque muitas vezes essas famílias estão no anonimato, invisibilidade, precisamos a todo tempo chamar atenção da sociedade quanto a importância do acompanhamento especializado".

"O autismo não é uma doença".

"O autismo não é uma doença, temos que especificar, trata-se de uma criança especial, tratamos dessa forma. Temos buscado trazer essa consciência e trabalhar junto com as famílias, porque percebemos que essa família vive em um luto e precisa de acolhimento, no CER-TEA acolhemos e abraçamos essa família e começamos um trabalho especializado com cada profissional buscando o desenvolvimento da melhor forma".

Conscientização

"Penso que Feira tem evoluído muito em relação a isso, porque a divulgação nas redes sociais tem tem trazido as pessoas a esse despertar, esse é um dia muito importante, estamos crescendo muito com o Centro depois da nova gestão, que buscou inovar, trazer um novo olhar, foram implantadas coisas que sonhávamos há muito tempo, como o atendimento odontológico e médico, fazia falta essa equipe completa multidisciplinar, estamos felizes, porque agora poderemos atender melhor, buscar o assistente social, o atendimento a família também que precisa ser acolhida". 

Lucineia Falcão - Coordenadora CER-TEA

"É uma data muito relevante a fim de que possamos trazer para a sociedade essa conscientização sobre o autismo que hoje é uma realidade, ainda vejo que as pessoas não estão preparadas para isso, por isso que trabalhamos o mês inteiro trazendo pautas relevantes sobre o tema, para desmistificar algumas questões pertinentes que muitos entendem acontecer ou não no autismo, mitos, para que acabe o preconceito e discriminação, precisamos incluir os autistas, existe uma lei federal que ampara essas pessoas, que traz o autismo como pessoas com deficiência, a fim de assegurar seus direitos".

Trabalho de divulgação a respeito do tema realizado nas redes sociais

"Atualmente se utiliza muito as redes sociais, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura vem trazendo toda essa parte de divulgação, a SEDESO, a qual somos vinculadas, traz também nos sites e na TV Feira. Também nos colocamos à disposição de vários equipamentos e entidades que queiram debater esse tema, temos uma equipe profissional para disseminar esse conhecimento".

"Além de coordenadora, sou mãe de autista"

"Além de coordenar o CER-TEA, tenho um filho autista, o Leonardo, um menino de 10 anos, ou seja, vivo a realidade do autismo, costumamos dizer que é um tripé, a terapia sozinha não funciona, precisa desse tripé, que seria a terapia, escola e a família, por isso, a família precisa dessa rede de apoio, no Centro os profissionais orientam os pais das crianças de como levar essa terapia para os locais onde a criança está, porque todo local que a criança frequenta se torna um local terapêutico, ou seja, são muitos estímulos, todos esses locais a criança deve estar com as famílias, visualizando o que podem fazer para levar esse estímulo para o filho".

Preconceito

"Ainda vejo muito grande, ainda temos os olhares discriminatórios, por ser criança, existem as situações de birra, mas no autismo há a questão sensorial, por isso, precisamos diferenciar crise de birra, isso é muito desgastante para as mães atípicas, porque se para criança na questão da crise, muito estímulo, barulho,  se porventura estiver em local fechado ou onde o barulho seja excessivo e a criança ter uma crise, as pessoas lançam aquele olhar, de criança mal educada, é muito difícil isso, é uma das piores fases que as mães podem vivenciar. Existe também a questão da exclusão dos espaços onde a criança não possa estar inserida, o colégio, com a negativa da vaga, hoje vejo essa diminuição ou algumas mães podem ainda não estar levando isso à tona, mas digo que é necessário, pois a voz dos nossos filhos somos nós".

Diagnóstico tardío do autismo

"A demanda atualmente tem crescido muito por conta do diagnóstico precoce, essa facilidade por conta das estereotipias exclusivas do autismo, o acesso às terapias hoje está mais fácil, a chegada desse diagnóstico pelo profissional neurologista, antes não tinha essa questão, a pessoa que não queria interagir, era tida como antissocial e tudo bem, mas hoje foi montado um quebra-cabeça, que é o símbolo do autista e foi se entendendo que não era sobre isso, mas uma questão do neurodesenvolvimento". 

Vandriane Ribeiro, mãe de Kaué Ribeiro - "o autista pode ser o que ele quiser, é só deixar ir"

Kaué Ribeiro à esquerda e Vandriane Ribeiro à direita - Foto: Onildo Rodrigues

"É uma data especial, que nos faz lembrar que nossos filhos autista têm todo o direito de serem incluídos na sociedade, pois são crianças normais, ele só  possui autismo, nada mais, tirando isso meu filho é normal, pode brincar e ter direitos como qualquer criança,  só pedimos igualdade e respeito".

"Criamos os filhos para o mundo"

"Os pais não devem ter medo de incluir o seu filho, como eu sempre digo, criamos os filhos para o mundo e não dentro de uma bolha, pensando que deve protegê-los de tudo, deve ter inclusão para o autista, temos que deixar que caminhem por si mesmas, para que mostrem como são especiais, amáveis, inteligentes, por isso, não passarão aperto por onde forem, porque mostrarão que podem chegar onde quiserem, mas, para isso, é necessário inclusão. Os pais de autistas tem que saber que eles têm capacidade de ser o que quiserem, como um médico ou advogado, é só deixar que sigam seu caminho.

Preconceito

"Infelizmente sempre teremos esse embate onde muitas pessoas não aceitam, pensam que os autistas não têm o mesmo lugar de qualquer outra criança, o preconceito sempre existirá, mas, temos que lutar contra isso, o autista pode estar onde quiser, independente  de opiniões contrárias, os pais têm que ter essa certeza e lutar diariamente contra aquelas pessoas que dizem que seu filho não vai chegar a lugar algum, mas os pais tem que acreditar e saber que seu filho pode e consegue chegar onde quiser".

A AMPA (Associação de Mães e Pais de Autistas), realizaram uma pequena feira no estacionamento da Prefeitura Municipal, na avenida Getúlio Vargas, com produtos abordando a temática do autismo, com o intuito de chamar atenção da sociedade a respeito do tema, conforme relatado pela Daniela, Carla e Ana diretora da associação.

Daniela - "Muita luta, sacrifícios, desafios e conquistas".

"Carla - fazemos parte da AMPA, neste dia mundial de conscientização sobre o autismo, resolvemos fazer uma mini feira".

Ana - diretora da AMPA - a nossa intenção é chamar a atenção da população para as questões relacionadas ao autismo, pois em 2025, ainda existe muito preconceito, ignorância, nossos filhos merecem respeito, os autistas têm capacidade de brilhar em qualquer lugar".  

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JACKELINE SILVA LOPESHá 18 horas Feira de SantanaVale aproveitar a data para lembrar: a Unimed segue desrespeitando os direitos de crianças autistas e desobedecendo ordens judiciais em Feira de Santana. Pedimos socorro ao MPBA Feira e aos juízes feirenses.
JACKELINE SILVA LOPESHá 19 horas Feira de SantanaExcelente reportagem. Vale dizer que o município tem pecado muito na assistência às crianças com TEA e às suas famílias: a quantidade de atendimentos ofertados está muito aquém da demanda são tão poucas terapias e tão espaçadas que a evolução é muito lenta. Fora a novela para liberação de acompanhante escolar, que todo dia muda com intervalos de meses entre uma e outra, demoro que quando a criança começa a criar vínculo ele se quebra, o que é péssimo para um autista com inflexibilidade. SOS FSA.
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