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"Os homens tem resistência em buscar auxílio médico", diz especialista

Dr. Carlos Alberto Amorim, coordenador de urologia do UNACON

15/11/2022 15h56 Atualizada há 2 anos
Por: Ana Meire Fonte: Conectado News
Foto Arquivo pessoal
Foto Arquivo pessoal

Pacientes diagnosticados com câncer em Feira de Santana, podem receber atendimento na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia  ( UNACON). Em entrevista ao Programa Levante a Voz, da Rádio Sociedade News FM, no quadro Cuidar Para Vidas Salvar", o médico Dr. Carlos Alberto Amorim, coordenador de urologia do UNACON, informou que para receber apoio é necessário ter sido diagnosticado com algum tipo de câncer.

“A UNACON é uma unidade de referência ao câncer de próstata e a outros tipos de câncer urológico e outros tipos de especialidades, agora é um serviço que é referenciado, ou seja o paciente tem que ser diagnosticado, tem que ter em mãos a biópsia comprovando o câncer para que ele dê entrada nos serviços e seja atendido pelos médicos que dão atenção a oncologia e as outras especialidades .”, explicou.

Pertencente ao  Dom Pedro de Alcântara, a UNACON oferece tratamentos cirúrgicos, de radioterapia, quimioterapia e imunoterapia.  “O UNACON é composta por profissionais que atendem diversas especialidades, como falei, e nós é damos a opção e na verdade vai depender do tipo de câncer, em qual estágio esteja, o paciente vai ser submetido a um determinado tipo de tratamento e aí nós temos como opção os tratamentos cirúrgicos que são feitos basicamente no hospital Dom Pedro de Alcântara, os tratamentos em radioterapia que são feitos também na unidade do UNACON que pertence ao Dom Pedro de Alcântara, e os tratamentos quimioterápicos, imunoterápicos e de hormônio terapia que são feitos também na unidade do UNACON que são medicações venosas, orais que são distribuídas pelo SUS através do UNACON.”.

Segundo Dr Carlos Alberto Amorim, atualmente 1700 são pacientes de urologia na UNACON. “Hoje nós temos uma estatística que é nacional de mais de 68 mil casos novos por ano de câncer de próstata, sendo que na Bahia chegaremos  a cerca de 6 mil casos e a UNACON recebe uma vasta gama de pacientes de câncer urológico e dentro dos pacientes com câncer de próstata está  a maioria dos pacientes que são atendidos pela nossa especialidade. Hoje nós temos  uma média de 1700 atendimentos ambulatoriais em Urologia dentro do UNACON, lembrando que o UNACON atende os pacientes de Feira e da macro região que são mais ou menos 47 cidades pactuadas com a UNACON de Feira de Santana.”, contou.

Para além dos medos e do tabu, o médico também apontou que um dos desafios no enfrentamento do câncer de próstata é o acesso desse paciente a rede pública de saúde. “Um desafio para o tratamento do câncer de próstata ainda é o acesso desses pacientes à rede pública. Nós temos  um serviço que funciona muito bem, que tem porta aberta para os pacientes que têm diagnóstico de câncer de próstata, mas esses pacientes ainda têm uma dificuldade de acesso, o horário em cidades mais afastadas, para terem a regulação pela Secretaria de Saúde das suas cidades, o transporte, os horários de atendimento e também existe uma fila para o tratamento, porque a demanda é muito muito grande para os pacientes de câncer de próstata.”

Dr. Carlos Alberto ainda afirmou que de fato os homens tem resistência em buscar auxílio médico. “É isso é uma realidade nossa, que nós já sofríamos com isso por conta de um certo preconceito do homem em fazer o exame de rastreamento que seria o exame do toque retal, lembrando que a Sociedade Brasileira recomenda esse tipo de rastreamento que seria PSA e o toque retal e esses pacientes tinham uma certa resistência em procurar e ainda tem uma certa resistência em procurar os serviços de saúde por uma série de fatores, por  barreiras socioculturais, por questões de medo, por questões ainda de falta de atendimento básico desses pacientes e até pela vergonha de se fazer o toque retal pela questão do preconceito, mas é o que a gente vê é que hoje está havendo uma procura maior.”, explicou que também apontou a pandemia também foi um dos grandes desafios dos últimos anos:

 “O que aconteceu nos últimos dois ou três  anos foi  uma dificuldade de se atender os pacientes num  estágio mais precoce por conta da pandemia. Então nós estamos vendo pacientes que estão chegando a nossa unidade com um estágio já mais avançado do câncer de próstata e com isso a gente fica sem possibilidades de fazer um tratamento que tenha uma chance de cura maior, ou seja a pandemia também teve esse fator negativo em relação aos pacientes com câncer de próstata.”, completou.

O médico ainda fez um apelo para que as famílias possam ajudar a promover a saúde desses homens .“A orientação não é só para os homens, mas também para as mulheres, as filhas e filhos, parentes dos homens que estão nos ouvindo, porque às vezes o provedor da saúde dentro de casa é o filho ou a mulher e que eles incentivem os homens a procurar o serviço de saúde e a procurar atendimento hoje tem uma rede básica de saúde que pode dar atendimento a esses pacientes, podem fazer o exame do PSA que é uma coisa que é relativamente simples de conseguir no nosso meio. E o que se tem que colocar em mente é que se nós conseguimos rastrear isso, nós conseguimos diagnosticar esse câncer numa fase precoce nós conseguiremos ter melhores índices de bons resultados no tratamento. Então fica a nossa mensagem que procure o serviço de saúde não só nessa época do novembro azul, eu sei que é um mês que tem essa chamada, mas em qualquer outro momento do ano que vocês possam ter essa consciência de que o diagnóstico do câncer numa fase precoce nós conseguiremos resolvê-lo e tratá-lo da maneira mais adequada”, concluiu.

 

Reportagem Jessica Campos 

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