
Lula e Flávio Bolsonaro disputam os votos de 48,1 milhões de eleitores que não escolheram nenhum dos dois no primeiro turno presidencial de 4 de outubro. Esse grupo reúne 30,5% do eleitorado e pode definir a eleição marcada para o dia 25.
No primeiro turno, Flávio teve 35,5% dos votos, contra 34% de Lula. Os outros 69,5% do eleitorado ficaram divididos entre os dois candidatos, enquanto os chamados eleitores “soltos” votaram em adversários eliminados, anularam, deixaram o voto em branco ou não compareceram às urnas.
O mapeamento municipal desses votos aponta uma distribuição desigual pelo país. A análise parte da avaliação de que os votos já obtidos por Lula e Flávio tendem a permanecer mais estáveis, o que eleva o peso dos eleitores que ficaram fora dessa divisão inicial.
As abstenções formam a maior parcela desse contingente: um em cada três eleitores soltos não compareceu à seção eleitoral. A taxa nacional de ausência foi de 21%, mas variou entre 5% e 40% conforme o município.
A abstenção atingiu áreas onde Lula venceu, como o norte de Minas Gerais e o norte do Amazonas, e também regiões em que Flávio obteve vantagem apertada, como o sul do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. A capacidade de elevar o comparecimento pode ter efeito distinto em cada região, já que tende a beneficiar quem liderou localmente no primeiro turno.
O Nordeste, onde Lula tem força eleitoral, registrou menor abstenção, o que reduz a margem para ampliar o comparecimento. Já cidades mais populosas em áreas favoráveis a Flávio concentram parte do eleitorado ausente que poderá voltar às urnas.
As capitais reúnem um a cada quatro eleitores soltos do país. Nelas, a disputa inicial ficou ainda mais apertada: Flávio recebeu 34,6% do eleitorado e Lula, 33,8%, enquanto candidatos alternativos tiveram participação proporcionalmente maior do que no conjunto nacional.
Os quatro candidatos eliminados mais votados somaram 7,5% dos votos válidos: Augusto Cury teve 2,89%, Renan Santos, 2,24%, Ronaldo Caiado, 2,18%, e Romeu Zema, 0,27%. Caiado e Zema concentraram votos em Goiás e Minas Gerais, estados que governaram, enquanto Cury teve presença maior no sul mineiro e Renan registrou melhor desempenho na região metropolitana de São Paulo e em capitais do Sul.
Nulos e brancos totalizaram quase 6 milhões de votos no primeiro turno. Os nulos chegaram a 2,93% do total e aparecem com maior concentração no Nordeste; os brancos foram 1,84% e se mostram mais comuns no Sul e no Sudeste. Como votos inválidos costumam crescer no segundo turno e historicamente são mais difíceis de converter em apoio aos candidatos, eles representam outra frente limitada na busca por votos.