
A soldado da Polícia Militar da Bahia Valdilene Nonato Santos França, suspeita de matar o comerciante Leonardo Gil Lima, com um tiro na cabeça, durante uma ação policial em Salvador, teve a liberdade concedida por decisão judicial no dia 2 de outubro. A informação foi divulgada pela Polícia Militar nesta segunda-feira (12).
A policial estava presa desde 4 de agosto, quando foi encaminhada à Coordenação de Custódia Provisória da corporação. Com a decisão, ela deverá cumprir medidas cautelares, entre elas a suspensão do exercício da função pública por 180 dias e a proibição de manter contato com testemunhas e familiares da vítima.
A decisão também determina que a policial não tenha acesso à localidade de Lessa Ribeiro, no bairro de São Cristóvão, onde o comerciante foi baleado.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, por meio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Paralelamente, a Polícia Militar informou que apura possíveis responsabilidades disciplinares dos agentes envolvidos na ocorrência.
A Polícia Civil informou que o inquérito policial conduzido pela 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico) foi encaminhado ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) em 29 de setembro deste ano, com o indiciamento da investigada por homicídio.
Familiares e testemunhas contestaram essa versão. Eles afirmaram que o comerciante havia acabado de chegar do trabalho e foi baleado por uma policial em frente à própria casa, sem que houvesse confronto no local.
A morte provocou manifestações de familiares e moradores, que cobraram justiça. Durante os protestos, um ônibus foi incendiado e o transporte público chegou a ser suspenso no bairro.
Após o caso, a Polícia Militar informou que afastou os agentes envolvidos das atividades operacionais, abriu um procedimento administrativo e encaminhou as imagens das câmeras corporais para as investigações da Polícia Civil e da Corregedoria da corporação.
Em nota, a PM afirmou que mantém o compromisso com a apuração dos fatos e com o cumprimento do devido processo legal.
Leonardo Gil Lima foi baleado na Rua Lessa Ribeiro, no bairro de São Cristóvão, em 23 de julho. Ele chegou a ser socorrido para uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos.
A soldado Valdilene Nonato é suspeita de ter efetuado o disparo que matou o comerciante. A prisão ocorreu após análises de imagens das câmeras corporais utilizadas pelos policiais que participaram da ação.
Na ocasião, a Polícia Militar informou que equipes da 49ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) faziam patrulhamento na região quando foram recebidas a tiros por homens armados. Segundo a corporação, os policiais revidaram e, ao final da ocorrência, Leonardo foi encontrado baleado.