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Luz vermelha acesa no São João da Bahia

Crédito: Imagem: Cacio Murilo | Shutterstock

Por Luiz Santos, radialista e jornalista

Que a Bahia hoje faz o maior São João do Nordeste, ninguém tem dúvidas. Até porque é o maior estado da região e os festejos juninos acontecem em quase todos os 417 municípios.

Nos últimos anos vimos essa festa, que acontecia nos povoados, entre as famílias, principalmente no interior, ganhar uma dimensão astronômica elevando-se os preços das produções e das bandas. Com isso, vimos também que o Ministério Público Estadual (MP-BA) vem acompanhando de perto os valores investidos e cachês das bandas.

Há casos em que algumas bandas tocam em um determinado município por um valor e em outro com um cachê bem mais alto, o que tem chamado a atenção do MP-BA. Os milhões investidos em realização de festas juninas tornou-se um saco sem fundo que não tem dinheiro que dê.

A antiga Bahiatursa, hoje chama de Sufotur, tem dado continuidade a essa imoralidade financeira e tem derramado milhões de reais dos cofres públicos destinados aos municípios. Como dito, a luz vermelha acendeu e o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), alertou sobre os elevadíssimos custos para a realização dessas festas.

Segundo Cocá “uma festa que se realizava com duzentos mil reais, hoje não dá para contratar nem a produção, pois as despesas com festas subiram mais de 50%”. Ainda de acordo com Cocá, “como as coisas estão acontecendo, dentro de dois, três anos muitos municípios não terão condições de realizar as festas”.

As palavras de Cocá foram corroboradas pelo presidente da União dos Prefeitos da Bahia (UPB) e prefeito de Andarai – município localizado na Chapada Diamantina – Wilson Cardoso (PSB). Cardoso reconheceu os altos custos para realização desses festejos.

As preocupações desses dois gestores são válidas e devem ser levadas em conta, além de repassadas para outros gestores. Porém, dificilmente se conseguirá êxito, pois existe um lobby muito grande feito por grandes produtoras que patrocinam candidaturas de prefeitos e prefeitas para depois tirarem até o último centavo com essas festas.

E o pior: com as emendas parlamentares muitas bandas já vem com tudo definido. O parlamentar dita as regras e envia bandas com cachês milionários. É justamente aí onde acontecem as negociatas, o efeito bumerangue.

Enfim, a luz vermelha está acesa. Até quando ninguém sabe. Sabe-se apenas que os festejos juninos levam renda para alguns municípios; para outros, só prejuízos financeiros.

Hely Beltrão

Hely Beltrão

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