Granizo em Feira de Santana é fenômeno comum, explica meteorologista do Inema
Por Luiz Santos e Mayara Naylanne
A chuva de granizo registrada em Feira de Santana no último domingo (8), chamou a atenção da população e levantou dúvidas sobre os riscos e as causas do fenômeno. Para esclarecer o assunto, o meteorologista Henrique Mendonça, da Coordenação de Estudos de Clima e Projetos Especiais (COCEP) do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), concedeu entrevista na manhã desta terça-feira ao programa Levante a Voz, da Rádio Sociedade News FM.
De acordo com o meteorologista, o granizo se forma quando há a combinação de temperaturas elevadas e umidade elevada, condições que favorecem o desenvolvimento de nuvens de grande porte, conhecidas como cumulonimbus. Dentro dessas nuvens, o ar se movimenta de forma intensa, subindo e descendo, o que possibilita a formação de pedras de gelo. Essas pedras ganham resistência e acabam chegando ao solo, caracterizando a chuva de granizo. Mendonça explicou ainda que o fenômeno ocorre de maneira localizada, o que justifica o fato de atingir alguns pontos da cidade e outros não, já que as nuvens de desenvolvimento vertical se formam em áreas específicas.
Durante a entrevista, o meteorologista desmentiu informações que circularam entre a população, como a de que o granizo seria uma chuva ácida ou que poderia causar doenças. Segundo ele, essa hipótese não procede. O principal risco está relacionado ao impacto físico das pedras de gelo, que, dependendo do tamanho, podem machucar pessoas que estejam expostas.
Sobre os cuidados necessários, Henrique Mendonça orientou que a população evite permanecer em locais abertos durante a ocorrência do fenômeno. A recomendação é buscar abrigo em locais cobertos e seguros, evitando áreas expostas, justamente para prevenir ferimentos causados pelo impacto do granizo.
Em relação à previsão desse tipo de evento, o meteorologista explicou que não é possível determinar com antecedência exata o dia e o horário em que ocorrerá uma chuva de granizo. O que existe, segundo ele, é um monitoramento contínuo das condições atmosféricas. Quando há previsão de chuvas fortes, os técnicos acompanham a intensificação das nuvens e avaliam se as condições, desde as camadas mais baixas até as mais altas da atmosfera, estão favoráveis à formação de granizo. Nessas situações, o Inema emite avisos ou alertas meteorológicos para a Defesa Civil do Estado e para as Defesas Civis dos municípios.
Henrique Mendonça também comentou sobre a relação entre o fenômeno e o aquecimento global. De acordo com ele, o aquecimento global contribui para a intensificação de eventos extremos, como secas, cheias e chuvas intensas, além de favorecer tempestades com grande desenvolvimento vertical, que podem resultar em granizo.
O meteorologista destacou ainda que a ocorrência desse tipo de chuva não é inédita na região. Há registros históricos e relatos da população de episódios semelhantes em anos anteriores, como em 1995, o que demonstra que se trata de um fenômeno climatologicamente comum e não de algo anormal.
Por fim, Mendonça esclareceu que o granizo não é característico de regiões frias, como muitas pessoas acreditam. Esse tipo de precipitação ocorre principalmente em regiões tropicais, onde há calor e umidade elevados. Em áreas frias, o fenômeno mais comum é a neve, que é diferente do granizo. Ele explicou ainda que o tempo de derretimento das pedras de gelo varia de acordo com a temperatura do local, podendo ocorrer em poucas horas.




